Desde o anúncio da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, o Porto de Vitória acumula 1.500 contêineres parados, principalmente de rochas, café e pimenta.
O primeiro cancelamento de navio americano ocorreu em 23 de maio, elevando o prejuízo estimado para R$ 360 milhões. A empresa Vports monitora os impactos do “tarifaço”.
Setores exportadores já preveem férias coletivas e até encerramento de operações voltadas ao mercado externo, especialmente dos EUA.
Impactos imediatos das tarifas americanas
O anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a imposição de uma tarifa de 50% a produtos brasileiros causou o cancelamento da primeira parada de um navio americano no Porto de Vitória em 23 de maio. Desde então, 1.500 contêineres deixaram de embarcar para os EUA, sendo 1.200 deles de rochas ornamentais. Os demais contêineres contêm café, pimenta-do-reino, gengibre, instrumentos musicais, cosméticos e carne bovina.
Segundo a administradora do porto, Vports, o monitoramento dos impactos é contínuo. Apesar do cancelamento, a programação das demais escalas permanece, por ora, inalterada. O despachante aduaneiro Bruno Marques, da Speed Soluções em Comex, aponta que a queda na demanda pode levar à concessão de férias coletivas e até ao encerramento de setores comerciais de empresas exportadoras, especialmente as voltadas ao mercado americano.
Marques destaca que, normalmente, 4 mil contêineres são exportados mensalmente, número que poderia ser ainda maior com o aumento do volume de café. Os EUA são um dos principais destinos dos produtos capixabas, como rochas naturais, café, celulose e aço. “Esses 1.500 contêineres chegam a 60 milhões de dólares, ou 360 milhões de reais que deixarão de ser exportados”, afirma.
Setores mais afetados e reações
Rochas ornamentais
Do total de contêineres parados, 1.200 são de rochas naturais. No primeiro semestre deste ano, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) exportou US$ 426 milhões (R$ 2,3 bilhões) em rochas para os EUA. Tales Machado, presidente do Centrorochas, relata que compradores americanos pediram a suspensão imediata dos embarques, temendo a chegada das cargas após a entrada em vigor da tarifa. Um lote avaliado em US$ 40 milhões (R$ 221 milhões) está entre as cargas retidas.
Machado explica que a associação americana de rochas já solicitou ao governo dos EUA a prorrogação do prazo para o setor, enquanto o governo estadual cogita linhas de crédito especiais para apoiar as empresas capixabas.
Café
O setor cafeeiro também sente fortemente o impacto. O Brasil é o maior fornecedor de café para os EUA, e em 2024, mais de 1,6 milhão das cerca de 8 milhões de sacas exportadas partiram do Espírito Santo. O Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) estima que, em sete dias, o estado deixou de embarcar cerca de 42 mil sacas, ou 2,5 mil toneladas de café cru e solúvel. Em todo o país, mais de 210 mil sacas de café brasileiro deixaram de ser comercializadas para os EUA, segundo o CCCV.
O vice-presidente do CCCV, Jorge Nicchio, afirma que o impacto foi imediato e atingiu empresas de todos os portes. Ele destaca que os EUA não produzem café, mas são os maiores consumidores mundiais e dependem do fornecimento brasileiro. “Certamente haverá uma diminuição de negócios com os EUA, mas ainda terão que comprar algum café do Brasil mesmo com essa taxação”, diz Nicchio.