Negócios

Suspensão dos EUA interrompe exportação de 152 toneladas de mel do Piauí

Produtores enfrentam prejuízo de R$ 2,5 milhões em 15 dias após embargo por questões de qualidade

A suspensão das exportações de mel do Piauí para os Estados Unidos gerou prejuízo de R$ 2,5 milhões em 15 dias, com 152 toneladas retidas. O embargo ocorreu devido a questões de qualidade e fiscalização, afetando diretamente produtores locais e a economia da região.

Os produtos, destinados principalmente ao mercado americano, permanecem armazenados na Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos, a 314 km de Teresina.

Impacto econômico e reação dos produtores

A decisão dos Estados Unidos de suspender a importação de mel brasileiro resultou na interrupção das vendas de 152 toneladas do produto em apenas 15 dias, causando um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões, segundo Sitônio Dantas, presidente da Casa Apis. O último envio realizado pela cooperativa ocorreu em 13 de julho, quando 95 toneladas de mel orgânico conseguiram ser liberadas após retenção no porto.

Com o embargo, a produção permanece estocada no depósito da Casa Apis, em Picos, afetando não apenas os produtores, mas toda a cadeia produtiva do mel na região. O valor das perdas pode aumentar caso a situação persista.

Motivos para a suspensão

O embargo foi motivado por falhas na qualidade e fiscalização do mel exportado, que não atenderam aos padrões exigidos pelas autoridades americanas. O governo brasileiro está empenhado em solucionar as pendências para retomar as exportações o quanto antes.

Alternativas e características do mel orgânico

Diante das dificuldades, produtores buscam alternativas como a diversificação dos mercados e o fortalecimento das vendas internas para minimizar os prejuízos. A importância do mercado americano para o setor é destacada pelos produtores, que temem impactos prolongados caso o impasse não seja resolvido.

O mel orgânico do semiárido do Piauí, exportado para Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e países da Europa, é resultado de práticas sustentáveis. Segundo Darcet Souza, o mel orgânico segue regulamentação nacional e exige requisitos como a ausência de adubos, fertilizantes e inseticidas, além de um raio mínimo de três quilômetros para as abelhas.

Souza explica que poucas áreas no mundo possuem condições para a produção de mel orgânico, e que a demanda por alimentos orgânicos tem crescido no Brasil, impulsionada pela busca por saúde e sustentabilidade. “A vantagem é que é um alimento especial, o risco à saúde é quase zero, pela ausência de resquícios de agrotóxicos”, afirma o pesquisador, ressaltando o aumento da procura após a pandemia de Covid-19.

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