O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, proibiu reuniões de comissões durante o recesso, frustrando planos da oposição de aprovar moções de apoio a Jair Bolsonaro nesta terça-feira. Em protesto, deputados do PL exibiram uma faixa de apoio a Donald Trump no plenário.
A presença de Bolsonaro chegou a ser cogitada, mas ele não compareceu à Câmara. O ato gerou debates e críticas entre os parlamentares presentes.
Decisão de Hugo Motta e reação da oposição
O ato do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicado no Diário Oficial, suspendeu todas as reuniões de comissões na Casa durante o recesso. A medida atingiu comissões presididas por parlamentares do PL, partido de Jair Bolsonaro, que planejavam aprovar moções de apoio ao ex-presidente.
Com o cancelamento das sessões, deputados da oposição presentes protestaram estendendo uma faixa de apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O gesto ocorreu durante coletiva à imprensa, quando os parlamentares criticaram a decisão de Motta, classificando-a como “censura”.
Polêmica durante a coletiva
Durante a coletiva, os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Delegado Caveira (PL-PA) seguraram a bandeira de Trump, o que gerou reações negativas de alguns colegas. “Tira essa bandeira daqui”, protestou um deputado. Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública, minimizou o episódio: “[Pedimos para retirar] porque não é o foco aqui hoje”. Ele ainda afirmou: “Tudo que o presidente Trump faz é uma resposta ao trabalho da diplomacia do presidente Lula. Um trabalho ruim, recebe a resposta da comunidade internacional”.
Resistência da oposição e impasse sobre Bolsonaro
Apesar da proibição, um grupo da Comissão de Segurança Pública se reuniu informalmente e exibiu uma placa de moção de apoio a Jair Bolsonaro. “É uma decisão que nos impede de manifestar nossa opinião, nossa palavra”, criticou Paulo Bilynskyj (PL-SP), defendendo que havia quórum para a reunião. Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que a oposição vai mobilizar a militância para manifestações nas ruas e acionar organismos internacionais em defesa de Bolsonaro. “Apesar de o Congresso estar no chamado recesso branco, nós não teremos recesso. Voltaremos às nossas bases e falaremos com a militância para mobilizar o povo”, declarou.
Divergências internas sobre menção a Bolsonaro
O uso de uma placa com o nome de Bolsonaro dividiu a oposição. O líder Zucco (PL-RS) levou a placa para as reuniões, mas o General Pazuello (PL-RJ) alertou: “Não coloca placa do Bolsonaro, ele já está exposto demais. A placa pode indicar que ele está aqui e ele não vem”. Bolsonaro, apesar de esperado, não compareceu à Câmara.