O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (23) com leve alta, cotado a R$ 5,5687 às 09h05, refletindo a avaliação do acordo comercial entre Estados Unidos e Japão. Investidores acompanham também as negociações do Brasil com o governo Trump e a liberação de R$ 20,6 bilhões no orçamento de 2025.
O cenário global e as decisões fiscais brasileiras seguem no radar do mercado, que observa ainda os desdobramentos das políticas monetárias do Federal Reserve dos EUA.
Mercado cambial e indicadores
Na abertura desta quarta-feira, o dólar apresentava volatilidade, com variação positiva de 0,03%. No acumulado da semana, a moeda registra queda de 0,37%, enquanto no mês acumula alta de 2,46%. No ano, a desvalorização chega a 9,92%. O Ibovespa também mostra oscilações: alta de 0,49% na semana, queda de 3,47% no mês e avanço de 11,43% no ano.
Negociações comerciais globais
Com a proximidade do prazo de 1º de agosto, poucos países avançam em acordos comerciais com os EUA. Na terça-feira, Donald Trump anunciou acordo com as Filipinas, reduzindo tarifa de 20% para 19% e estabelecendo cooperação militar. “Foi uma grande honra estar com o Presidente. Ele é altamente respeitado em seu país, como deveria ser. Ele também é um negociador muito bom e rigoroso”, declarou Trump no Truth Social. O progresso dos EUA com outros países pressiona o Brasil, que ainda não apresenta avanços significativos nas negociações.
Investidores aguardam sinais do governo brasileiro sobre como irá conduzir as tratativas com os norte-americanos, seja buscando acordo ou adotando medidas de retaliação.
Orçamento e política fiscal brasileira
Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento anunciaram a liberação de R$ 20,6 bilhões no orçamento de 2025, reduzindo o bloqueio total de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões. A decisão considerou ajustes em receitas e despesas, incluindo aumento do IOF, tributação de fintechs, limitação de compensações tributárias, programa Pé-de-Meia na educação e receita extra de R$ 17,9 bilhões do pré-sal.
Para 2025, a projeção oficial é de déficit de R$ 74,9 bilhões nas contas públicas. Com abatimento de precatórios (R$ 48,6 bilhões) e margem de tolerância do arcabouço fiscal (R$ 31 bilhões), a meta fiscal pode ser atingida. O detalhamento dos ministérios e políticas beneficiados será divulgado até o fim do mês.
Fed e política monetária nos EUA
O secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, voltou a comentar sobre Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, afirmando que não há necessidade de saída imediata do cargo. Bessent defendeu que o legado de Powell deve ser o correto dimensionamento das funções não-monetárias do Fed. Em entrevista à Fox Business Network, Bessent pediu revisão das operações não relacionadas à política monetária e criticou o “alarmismo sobre tarifas”, ressaltando o baixo impacto inflacionário observado até agora.