Uma senha fraca permitiu que hackers invadissem a KNP, empresa de transportes de Northamptonshire, levando à sua falência após 158 anos de atividade. O ataque, parte de uma onda que atinge milhares de companhias no Reino Unido, expôs dados e deixou 700 pessoas desempregadas.
O caso reacendeu discussões sobre a necessidade de fortalecer a segurança cibernética, com especialistas e autoridades defendendo medidas mais rígidas e maior transparência nos incidentes.
Ataques em alta e impacto devastador
Em 2023, a KNP operava 500 caminhões sob a marca Knights of Old e mantinha padrões de TI considerados adequados, além de seguro contra ataques cibernéticos. Mesmo assim, uma gangue chamada Akira conseguiu acesso ao sistema ao adivinhar a senha de um funcionário, criptografando dados e bloqueando operações. O resgate pedido poderia chegar a 5 milhões de libras, valor que a empresa não tinha. Sem conseguir recuperar os dados, a KNP encerrou as atividades.
O diretor Paul Abbott optou por não informar ao funcionário que sua senha comprometida foi o ponto de entrada para o ataque. Ele agora alerta outras empresas sobre a ameaça, sugerindo uma espécie de ‘vistoria veicular cibernética’ obrigatória. Paul Cashmore, especialista em cibernética, observa que muitas empresas preferem pagar resgates a denunciar crimes, alimentando o ciclo do crime organizado digital.
Panorama nacional
Segundo o NCSC, órgão ligado à Agência de Comunicações do Governo (GCHQ), o Reino Unido enfrenta cerca de 19 mil ataques de ransomware por ano, com valores médios de resgate em torno de 4 milhões de libras. Grandes empresas como M&S, Co-op e Harrods também foram vítimas recentes. O CEO da Co-op confirmou o roubo de dados de 6,5 milhões de usuários.
Richard Horne, CEO do NCSC, destaca a necessidade de reforçar a segurança digital. Já Suzanne Grimmer, da NCA, relata que o número de ataques quase dobrou em dois anos, chegando a 35-40 por semana. Técnicas de invasão incluem desde adivinhação de senhas até manipulação de suporte de TI.
Desafios e respostas institucionais
O NCSC busca detectar e conter ataques antes que causem danos, mas reconhece limitações diante do volume de incidentes. “Parte do problema é que há muitos hackers e não somos muitos”, afirma um agente identificado como Sam. Outro agente, Jake, descreve a tensão e o impacto dos ataques diários.
James Babbage, diretor da área de ameaças da NCA, aponta que jovens hackers, muitas vezes oriundos de games, usam ferramentas compradas na dark web para realizar ataques sofisticados. Ele classifica o ransomware como a principal ameaça cibernética ao Reino Unido e ao mundo.
Relatórios do Parlamento e do Serviço Nacional de Auditoria alertam para o risco de ataques catastróficos e recomendam que empresas priorizem a segurança digital em todas as decisões. Babbage e outros especialistas desaconselham o pagamento de resgates, pois isso alimenta o crime.
O governo propõe proibir órgãos públicos de pagar resgates e pode exigir que empresas privadas relatem ataques e solicitem autorização para pagamentos, buscando maior controle e resiliência diante do avanço do crime cibernético.