O Brasil deve receber em 2027 o seu primeiro computador quântico, resultado da cooperação tecnológica com a Finlândia. O equipamento, um IQM Spark, será instalado pelo Instituto de Pesquisas Eldorado, em Campinas.
O balanço da parceria foi feito pelo embaixador finlandês Antti Kaski em entrevista à Gazeta do Povo, durante visita a Curitiba na última semana, ao detalhar frentes que vão de redes 6G a satélites de geointeligência.
O que muda com a máquina quântica
Enquanto um computador convencional processa dados em bits, que assumem valor 0 ou 1, a máquina quântica opera com qubits, capazes de sustentar cálculos complexos de forma simultânea e em velocidade inalcançável para os sistemas atuais.
Na prática, o IQM Spark funcionará como infraestrutura de teste: universidades e centros de pesquisa poderão rodar algoritmos voltados ao desenvolvimento de novos materiais químicos, a avanços em inteligência artificial e à otimização de processos industriais de alto desempenho.
Redes móveis e satélites
A cooperação também corre em camadas invisíveis ao consumidor final. Pesquisadores brasileiros já atuam na Finlândia em projeto conjunto da Nokia com a Universidade de Oulu para desenvolver o 6G, a geração seguinte das redes móveis.
No setor espacial, o país mantém relação estratégica com a startup ICEYE, fornecedora de satélites pequenos e flexíveis usados em geointeligência — monitoramento detalhado do território para fins civis e militares. O Brasil foi o primeiro comprador internacional da empresa fora da União Europeia.
A aproximação com Helsinque não é um caso isolado: meses antes, o país já havia formalizado uma parceria digital com a própria União Europeia, em áreas como dados, conectividade e cibersegurança.
Celulose e o teste comercial com a Europa
Na indústria de papel e celulose, a engenharia finlandesa chega pela Valmet, que forneceu máquinas ao Projeto Puma, da Klabin, no Paraná. De lá saiu o Eukaliner, apresentado como o primeiro papel kraft do mundo produzido com fibras de eucalipto.
O Brasil superou a marca de 20 milhões de toneladas de celulose exportadas no último ano e se consolidou como maior exportador mundial do produto, desempenho sustentado por tecnologias de automação como essas.
Kaski também se disse otimista quanto à conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, e afirmou que brasileiros e europeus compartilham valores de democracia liberal.
Sobre o embargo europeu recente a produtos de origem animal do Brasil, o embaixador disse acreditar em uma solução pragmática e conjunta. Negou viés político ou protecionista e atribuiu as restrições a exigências técnicas e sanitárias de consumidores europeus quanto ao uso de antimicrobianos.
Segundo ele, auditorias já indicam que o comércio de mel e de carne de frango deve ser normalizado em breve.