O clã Bolsonaro tentou duas investidas para romper a ordem institucional no Brasil. A primeira, sem apoio do Exército brasileiro, fracassou. A segunda, com auxílio de um governo estrangeiro, também resultou em fracasso e sanções econômicas ao país.
Essas ações expuseram interesses pessoais do grupo e culminaram em medidas cautelares do STF contra Jair Bolsonaro, tornando-o mais tóxico eleitoralmente.
Tentativas de golpe e consequências
A primeira tentativa de ruptura promovida pelo clã Bolsonaro falhou devido à ausência de adesão das Forças Armadas. Em seguida, buscou-se apoio externo, especialmente do governo de Donald Trump, mas a investida também não prosperou. O objetivo era uma ação direta contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Entretanto, a tentativa resultou em sanções econômicas ao Brasil, provocando uma reação de união nacional em defesa da soberania.
Esses movimentos revelaram que, para Bolsonaro e seus filhos, o lema “Deus, Pátria e Família” teria outros significados: “Deus” seria Trump, “pátria” os Estados Unidos, e “família” apenas a própria. O eleitorado percebeu a diferença entre o discurso e as ações do grupo.
No campo jurídico, o STF intensificou as medidas contra Bolsonaro, incluindo tornozeleira eletrônica e restrições diversas. Politicamente, as tentativas de golpe abalaram as pretensões eleitorais tanto de Bolsonaro quanto de aliados como Tarcísio de Freitas, segundo pesquisa Quaest sobre o governo Lula e cenários para 2026. O cenário internacional para Eduardo Bolsonaro também permanece inalterado.
Operação e medidas cautelares
No dia 18, o ministro Alexandre de Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica, bloqueio de redes sociais e outras medidas cautelares contra Jair Bolsonaro. A decisão veio após a Polícia Federal identificar articulações internacionais do ex-presidente e aliados, incluindo risco de fuga, obstrução de Justiça e tentativa de extorsão.
A investigação apura se Bolsonaro condicionou o fim das sanções econômicas dos EUA ao Brasil à aprovação de anistia para si e aliados no Congresso, o chamado “tarifaço de Trump”. Moraes classificou o ato como tentativa de obstrução de Justiça, coação e atentado à soberania nacional.
Foram encontradas na casa de Bolsonaro cópias de uma ação contra Moraes nos EUA, movida por representantes da plataforma Rumble e aliados de Trump, com objetivo de transferir a disputa institucional ao exterior.
Principais restrições impostas
Entre as medidas do STF estão: uso de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana; proibição de redes sociais; proibição de contato com diplomatas, embaixadores, réus e investigados, inclusive Eduardo Bolsonaro; e restrição de acesso a embaixadas e consulados.
Após a instalação da tornozeleira, Bolsonaro afirmou nunca ter pensado em sair do Brasil ou buscar refúgio em embaixadas, negou irregularidades e classificou a operação como política. Sua defesa declarou surpresa e indignação, alegando cumprimento das determinações judiciais.