A Câmara dos EUA vota nesta quarta-feira o projeto de Donald Trump que reduz impostos, aumenta verbas para ações anti-imigração e corta programas sociais.
A proposta, já aprovada pelo Senado por margem apertada, prevê mudanças em áreas como saúde, educação, energia limpa e assistência alimentar.
O texto, chamado de “One Big Beautiful Bill”, pode adicionar trilhões à dívida pública e impactar milhões de americanos.
Principais pontos do projeto
O pacote de Trump inclui uma redução de impostos estimada em US$ 4 trilhões para empresas e pessoas físicas, mantendo cortes implementados em 2017. Entre as medidas, estão alíquotas menores de Imposto de Renda, isenção temporária sobre gorjetas e horas extras, e deduções para pesquisa e investimento empresarial. Para idosos acima de 65 anos, há isenção sobre benefícios da Previdência Social.
O projeto endurece regras do Medicaid, exigindo 80 horas mensais de trabalho para adultos sem filhos e sem deficiência. Estados poderão cancelar a cobertura de beneficiários que não apresentarem documentação, e mudanças no Obamacare podem gerar economia de US$ 100 bilhões, mas deixar milhares sem seguro.
Na área de energia limpa, o texto encerra créditos fiscais da Lei de Redução da Inflação, incluindo o crédito de US$ 7,5 mil para carros elétricos, e limita incentivos para fontes renováveis.
O Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) terá critérios de acesso mais rígidos, podendo excluir cerca de 3 milhões de beneficiários. Em educação, prevê-se corte de US$ 330 bilhões em empréstimos estudantis e restrições a programas de pagamento vinculados à renda.
O orçamento destina US$ 150 bilhões à defesa, com investimentos em construção naval e no sistema “Golden Dome”, e US$ 175 bilhões para reforço da fronteira e ações anti-imigração.
Debate político e impactos
A proposta divide opiniões no Congresso e na sociedade. Republicanos defendem como estímulo à economia e à segurança, enquanto democratas criticam cortes sociais que afetam os mais vulneráveis. Críticos apontam que a redução de impostos favorece principalmente os mais ricos.
A votação no Senado foi apertada, 51 a 50, com o vice-presidente J.D. Vance desempatando. Três republicanos votaram contra: Thom Tillis, Susan Collins e Rand Paul. O projeto de 940 páginas enfrentou resistência interna devido a divergências sobre benefícios fiscais e mudanças em políticas de saúde.
Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), a lei pode adicionar US$ 3,3 trilhões à dívida de US$ 36,2 trilhões dos EUA, transferindo riqueza dos jovens para os mais velhos e pressionando o crescimento econômico. O limite de endividamento pode subir em US$ 5 trilhões, adiando o risco de calote e afetando mercados globais.
Para entrar em vigor, o texto precisa de nova aprovação na Câmara e sanção presidencial. O debate segue intenso sobre os efeitos sociais e fiscais do pacote.