Economia

Dólar opera em alta antes da votação do pacote orçamentário de Trump nos EUA

Mercado financeiro reage à expectativa sobre cortes de impostos e aumento de gastos públicos nos Estados Unidos

O dólar iniciou a quinta-feira (3) com alta de 0,37%, cotado a R$ 5,4407, enquanto investidores aguardam a votação do megapacote orçamentário do presidente dos EUA, Donald Trump, pela Câmara dos Deputados. O texto prevê amplos cortes de impostos e aumento dos gastos públicos, podendo elevar a dívida americana em US$ 3,3 trilhões na próxima década.

No Brasil, o mercado acompanha a queda da produção industrial de maio e o debate sobre a revogação do aumento do IOF, que pode impactar as contas públicas em 2025.

Impactos do pacote orçamentário dos EUA

O megapacote orçamentário de Donald Trump, chamado de One Big Beautiful Bill, está em pauta na Câmara dos Deputados dos EUA após aprovação no Senado. Entre os principais pontos, estão o aumento de recursos para controle da imigração, ampliação dos gastos militares, cortes em programas sociais, como o Medicaid, e novas isenções fiscais. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) estima que o pacote adicionará US$ 3,3 trilhões à dívida pública americana nos próximos dez anos.

Trump deseja sancionar o projeto até 4 de julho, feriado da Independência. O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que pretende cumprir esse prazo. O mercado teme que a elevação da dívida e os cortes sociais agravem a situação fiscal dos EUA e aumentem a desconfiança internacional.

Tarifaço e negociações internacionais

O fim da suspensão temporária das tarifas impostas por Trump também gera expectativa. O prazo de 90 dias está próximo do fim, com apenas três acordos comerciais firmados até agora. Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmaram que não haverá prorrogação e as tarifas podem voltar após 9 de julho. O Canadá, por exemplo, cancelou um imposto sobre serviços digitais de empresas americanas para tentar destravar negociações. Já a União Europeia busca alívio imediato nas tarifas para setores estratégicos.

O aumento das tarifas pode pressionar a inflação e desacelerar a economia global. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, declarou que o banco central dos EUA vai esperar mais dados sobre o impacto das tarifas antes de decidir sobre cortes nos juros, resistindo às pressões de Trump.

Debate sobre IOF e contas públicas no Brasil

No cenário doméstico, o foco está na derrubada do decreto que aumentava o IOF. O governo estima perda de R$ 10 bilhões em arrecadação em 2024 e pode adotar novos bloqueios no Orçamento de 2025. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a necessidade do aumento do IOF e de aprovar medidas provisórias para elevar a tributação sobre apostas eletrônicas, criptoativos e fintechs, além de cortar benefícios fiscais.

O presidente Lula afirmou que recorrerá ao STF para reverter a decisão do Congresso, alegando que a separação de Poderes foi violada. O advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçou a judicialização do tema.

Indicadores econômicos

No Brasil, a produção industrial caiu 0,5% em maio frente a abril, segundo o IBGE, marcando a segunda queda consecutiva. Em relação a maio de 2023, houve alta de 3,3%. Nos EUA, o relatório ADP mostrou fechamento de 33 mil vagas no setor privado em junho, contrariando a expectativa de criação de 95 mil empregos. Isso reforça a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve.

Desempenho dos mercados

O Ibovespa abriu em alta, acumulando +1,60% na semana, +0,14% no mês e +15,60% no ano. Já o dólar acumula -1,15% na semana, -0,24% no mês e -12,28% no ano.