A relação entre o Congresso e o Planalto ficou ainda mais tensa após decisões do STF e vetos do presidente Lula. Deputados avaliam que o clima de instabilidade deve permanecer até as eleições de 2026.
Reações como a aprovação de uma “pauta-bomba” na Câmara refletem o distanciamento entre os poderes. O Centrão segue na base governista por pragmatismo, mas a expectativa é de mais conflitos até abril.
Conflitos recentes entre Legislativo e Executivo
A tensão entre o Congresso e o Planalto aumentou após o Supremo Tribunal Federal (STF) retomar o decreto presidencial que elevou a alíquota do IOF e o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao aumento no número de deputados. Como resposta, a Câmara aprovou na noite de quarta-feira (16) uma chamada “pauta-bomba”, projeto que prevê crédito subsidiado de até R$ 30 bilhões ao agronegócio, utilizando verba do Pré-Sal.
O agravamento da situação teve início no fim de junho, com a derrota do governo na derrubada do decreto do IOF pelo Congresso. Desde então, houve tentativas de reconciliação, incluindo reuniões na semana passada, mas o clima eleitoral já domina o ambiente legislativo.
Clima de instabilidade até as eleições
Interlocutores do Centrão e articuladores do governo avaliam que, até as eleições de 2026, a relação será marcada por instabilidade e interesses pontuais, sem afinidade ou foco em pautas nacionais. O ambiente de desconfiança deve perdurar, criando uma espécie de “montanha-russa” política.
Bastidores e projeções para os próximos meses
Dentro do governo, a percepção é que o Centrão permanecerá na base por motivos pragmáticos, buscando manter espaços e cargos em ministérios. O governo, por sua vez, evita retirar esses cargos, ciente de que precisará do apoio do bloco em votações futuras. O rompimento definitivo entre as partes é esperado para abril, com a relação marcada por idas e vindas até lá.
A decisão do presidente Lula de vetar o aumento do número de deputados foi estratégica. Segundo auxiliares, ele evitou assumir o desgaste de uma pauta impopular e inconstitucional, deixando o ônus para o Congresso. Após a derrota na questão do IOF, ficou claro que Lula não pretende se comprometer com pautas impopulares do Legislativo.