O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta quinta-feira (10) que a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta por Donald Trump terá efeito negativo para o estado. Ele destacou que os EUA são o principal destino das exportações industriais paulistas e defendeu negociações, deixando de lado questões ideológicas.
Tarcísio também responsabilizou o governo Lula pela medida americana, enquanto autoridades federais reagiram às críticas do governador. O anúncio da tarifa ocorre em meio a histórico déficit comercial do Brasil com os EUA desde 2009.
Impacto para São Paulo e reação do governo estadual
Durante evento sobre o Metrô de São Paulo, Tarcísio de Freitas afirmou que a tarifa de Trump é “deletéria” para o estado, atingindo empresas como a Embraer, que recentemente fechou grandes contratos. O governador informou que sua equipe já dialoga com a embaixada americana, mas ressaltou que cabe ao governo federal liderar as negociações e superar disputas ideológicas.
Em suas redes sociais, Tarcísio atribuiu a decisão dos EUA à postura do governo Lula, dizendo que “a responsabilidade é de quem governa” e criticando o alinhamento do Brasil a países autoritários. Ele afirmou: “Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás de Bolsonaro”.
Resposta do governo federal
A ministra Gleisi Hoffmann rebateu, dizendo que “quem está colocando ideologia acima dos interesses do país é o governador Tarcísio e todos os cúmplices de Bolsonaro que aplaudem o tarifaço de Trump contra o Brasil”. Segundo ela, a oposição visa ganhos políticos com a medida americana. O ministro Fernando Haddad também criticou Tarcísio, afirmando que “ou bem uma pessoa é candidata a presidente, ou é candidata a vassalo”, e que não há espaço para submissão diante de agressões unilaterais.
Justificativas americanas e contexto comercial
Em carta enviada a Lula, Trump citou o julgamento de Bolsonaro no STF e alegou ataques do Brasil à liberdade de expressão e eleições livres nos EUA. O presidente americano justificou a tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras como resposta a uma relação comercial “injusta”. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais com os EUA desde 2009, acumulando US$ 49,9 bilhões negativos desde 1997 e US$ 90,28 bilhões nos últimos 16 anos.
Repercussão política e resposta do governo brasileiro
O anúncio da tarifa gerou forte reação nas redes sociais, com brasileiros comentando em massa nos perfis de Trump e levando o ex-presidente americano a restringir comentários. Analistas apontam que a medida tem forte componente geopolítico, visando ampliar o poder de barganha dos EUA.
O presidente Lula declarou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que responderá ao aumento unilateral com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ele reforçou que o processo judicial sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira. Lula também rebateu críticas sobre liberdade de expressão, afirmando: “No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, estão submetidas à legislação brasileira.”
Produtos como aço e alumínio, já sujeitos a tarifas de 50%, continuam sendo impactados, especialmente o setor siderúrgico. A nova tarifa é a mais alta entre as anunciadas por Trump e deve afetar significativamente as exportações brasileiras, especialmente de São Paulo.