O residencial Viver Pratinha, do programa Minha Casa, Minha Vida, está sendo analisado pelo governo como alternativa para hospedagem temporária durante a COP 30, em Belém.
O conjunto habitacional enfrenta problemas como infiltrações, falta de acabamento e unidades ainda em obras, com previsão de entrega para outubro de 2025.
O governo afirma que o uso temporário não vai comprometer a entrega definitiva das moradias à população.
Condições do residencial e planejamento para a COP 30
O residencial Viver Pratinha é avaliado como possível solução para ampliar o número de leitos em Belém durante a COP 30. No local, há edificações destelhadas, paredes com infiltrações e sem acabamento, além de unidades sem janelas ou portas. Segundo o Ministério das Cidades, 256 apartamentos em 16 blocos estão com obras na fase de acabamento, com previsão de entrega até outubro de 2025.
O engenheiro civil Fabiano Alves explica que as infiltrações são causadas por ausência de pintura impermeabilizante, fissuras expostas ou degradação do reboco, permitindo a entrada de água da chuva e gerando problemas como manchas, bolor e desagregação do material.
O Ministério das Cidades afirma que as obras seguem o cronograma normal para entrega aos futuros moradores. Caso o uso temporário para a COP 30 seja aprovado, o governo garante que isso não afetará a entrega definitiva das moradias.
Demanda por hospedagem
Segundo sindicatos do setor, a região metropolitana de Belém dispõe de pouco mais de 24 mil leitos, enquanto a expectativa do governo é receber 50 mil pessoas durante o evento da ONU, em novembro.
Histórico de atrasos, ocupações e protestos
O contrato para as obras do Viver Pratinha foi assinado em 2013, com previsão de entrega em 2016. Após anos de paralisação, o conjunto passou por ocupações irregulares em 2021, quando um grupo invadiu apartamentos ainda não concluídos. Houve vandalismo, furtos de itens de acabamento e ligações clandestinas de água e luz.
O Ministério das Cidades relatou que a ocupação irregular resultou no saque e destruição de grande parte da infraestrutura interna e externa. Para retomar as obras, foi necessária a reintegração de posse, realizada pela Caixa em 2024, após protestos dos ocupantes.
As obras foram retomadas em 2023 como parte do esforço para finalizar empreendimentos inacabados do Minha Casa, Minha Vida. A estimativa é que os moradores recebam seus apartamentos no primeiro semestre de 2026. O valor total do investimento não foi divulgado, mas a nova fase do projeto recebeu suplementação de mais de R$ 40 milhões em recursos federais.