Empresários brasileiros pediram nesta terça ao vice-presidente Geraldo Alckmin que o governo negocie com os Estados Unidos o adiamento da tarifa de 50% imposta por Donald Trump a produtos nacionais.
O setor produtivo teme prejuízos e busca até 90 dias para adaptação. O anúncio do tarifaço, previsto para 1º de agosto, gerou críticas do governo Lula, que vê motivação política na medida.
Reação do setor produtivo e governo
Durante reunião nesta terça-feira, representantes da indústria e entidades exportadoras solicitaram ao governo federal que negocie com autoridades norte-americanas o adiamento da nova tarifa. O pedido foi apresentado diretamente ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que classificou o prazo imposto pelos EUA como ‘exíguo’.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou carta ao presidente Lula na semana passada, comunicando que, a partir de 1º de agosto, produtos brasileiros importados pelos americanos receberão uma tarifa adicional de 50%. O governo brasileiro criticou a decisão, considerando-a uma retaliação política motivada por críticas de Trump ao STF e em defesa de Jair Bolsonaro.
Setores industriais defendem um prazo de até 90 dias para que as empresas possam se preparar para o impacto da elevação tarifária. Especialistas sugerem que uma possível retaliação brasileira na área de propriedade intelectual poderia afetar diretamente o setor produtivo dos EUA, sem provocar inflação no Brasil, diferentemente da imposição de tarifas sobre alimentos.
Participação e bastidores da reunião
Autoridades presentes
Estiveram presentes representantes da Casa Civil, incluindo Rui Costa (ministro), Bruno Moretti (secretário especial) e Jairo Gonçalves (assessor-chefe). O Ministério das Relações Exteriores foi representado pela embaixadora Maria Laura, o embaixador Maurício Carvalho Lyrio e o embaixador Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel. Fernando Haddad (ministro da Fazenda) e Guilherme Mello (secretário de política econômica) também participaram, assim como Silvio Costa Filho (ministro dos Portos e Aeroportos) e Simone Tebet (ministra do Planejamento e Orçamento).
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços contou com Marcio Rosa (secretário-executivo), Tatiana Prazeres (secretária de comércio exterior), Uallace Moreira (secretário de desenvolvimento industrial) e Rodrigo Zerbone (secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior). Da vice-presidência, participaram o embaixador Celso de Tarso, Vilma da Conceição Pinto e o primeiro-secretário Daniel Brito.
Representantes da indústria
Entre os representantes do setor produtivo estavam Francisco Gomes Neto (Embraer), Ricardo Alban (CNI), Josué Gomes da Silva (FIESP), José Velloso (Abimaq), Haroldo Ferreira (Abicalçados), Janaína Donas (Abal), Fernando Pimentel (Abit), Paulo Roberto Pupo (Abimci), Paulo Hartung (Ibá), Armando José Giacomet (Abimci), Rafael Lucchesi (Tupy), Giovanni Francischetto (Centrorochas), Edison da Matta (Sindipeças), Cristina Yuan (Instituto Aço Brasil), Daniel Godinho (WEG), Fausto Varela (Sindifer), Bruno Santos (Abrafe) e Alexandre Almeida (RIMA).
Desdobramentos políticos
A medida de Trump gerou reações políticas no Brasil. Eduardo Bolsonaro criticou o governador Tarcísio por dialogar com empresários, alegando ‘subserviência servil às elites’. O governo Trump também fez nova ameaça ao Brasil, afirmando acompanhar de perto a situação de Bolsonaro, no mesmo dia em que a PGR deve apresentar alegações finais de ação contra o ex-presidente.