A Embraer anunciou nesta terça-feira (15) que pode perder até R$ 20 bilhões até 2030 devido à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. O impacto imediato em 2024 pode chegar a R$ 2 bilhões, afetando exportações para o principal mercado da empresa.
O CEO Francisco Gomes Neto afirmou que a medida pode causar cancelamentos de pedidos, adiamento de entregas, corte de investimentos e demissões. A companhia busca alternativas e negociações para evitar prejuízos.
Contexto da tarifa dos Estados Unidos
A tarifa de 50% foi anunciada pelo governo de Donald Trump como parte de uma disputa comercial entre Estados Unidos e Brasil. Atualmente, a tarifa de exportação é de 10%, representando um custo de cerca de US$ 360 milhões. Com a nova alíquota, esse valor pode saltar para US$ 1,8 bilhão, um aumento de 400%.
O mercado americano é fundamental para a Embraer, respondendo por 45% das vendas de jatos comerciais e 70% das de jatos executivos da fabricante. Segundo o balanço do primeiro trimestre, a empresa tem 181 aviões comerciais encomendados para seis companhias aéreas dos EUA: American Airlines, Republic Airlines, Horizon Air, Azorra, AirCastle e SkyWest.
Além disso, a SkyWest encomendou 60 aviões durante o Paris Air Show, em junho, em um contrato avaliado em US$ 3,6 bilhões, com entregas previstas para 2027.
Repercussões e medidas da Embraer
O CEO Francisco Gomes Neto destacou que dificilmente uma companhia pagará um valor tão elevado e demonstrou otimismo em relação a um possível acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos. “Tem argumentos muito fortes, dividimos isso com Alckmin. No caso da aeronáutica, tem boa base para negociar e buscar alíquota 0 como foi com o Reino Unido”, afirmou.
Gomes Neto alertou que o tarifaço pode levar a cancelamentos de pedidos, adiamento de entregas, corte de investimentos e até demissões, em números semelhantes aos registrados durante a pandemia de Covid-19, quando a Embraer dispensou cerca de 2,5 mil funcionários e teve queda de receita de 30%. “Afeta funcionários no Brasil e nos EUA. E funcionários de peças nos EUA. Significa que os fornecedores vão produzir menos lá. É uma situação de ‘perde perde'”, completou.
Nenhuma companhia aérea procurou a Embraer até o momento para adiar ou cancelar pedidos, segundo Gomes Neto. “É uma situação nova, todo mundo está tentando entender e trabalhando para uma solução dentro do prazo”, disse o executivo.
A Embraer está avaliando alternativas para mitigar os efeitos da tarifa, incluindo negociações com autoridades e ajustes em sua cadeia produtiva.