A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 50% as tarifas sobre produtos importados do Brasil repercutiu amplamente na imprensa internacional nesta quarta-feira (9). A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, foi anunciada em resposta à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Jornais estrangeiros destacaram o caráter pessoal e político da decisão, que afeta setores como petróleo, suco de laranja, café, ferro e aço.
Reações da imprensa internacional à nova tarifa
O The Washington Post ressaltou que a decisão de Trump evidencia motivações pessoais e políticas acima de fundamentos econômicos. Segundo o jornal, o presidente americano justificou inicialmente as tarifas como resposta a um “estado de emergência econômica”, mas a ligação direta com o julgamento de Bolsonaro enfraquece esse argumento. “A medida evidencia como relações pessoais e alinhamentos políticos seguem pesando mais que fundamentos econômicos nas decisões de Trump”, afirmou a publicação.
O The New York Times apontou que a tensão comercial entre EUA e Brasil explodiu com o anúncio, sinalizando o início de uma guerra comercial repentina. O jornal destacou que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e que a medida pode gerar consequências econômicas e políticas significativas, especialmente para o lado brasileiro. Segundo o veículo, Trump condiciona o fim das tarifas à suspensão do processo contra Bolsonaro, usando as tarifas como instrumento de coerção e interferência em julgamento criminal estrangeiro.
Ambos os jornais americanos desmentiram a alegação de Trump de que os Estados Unidos têm déficit comercial com o Brasil.
Repercussão em outros países e comparações históricas
O britânico The Guardian classificou a carta de Trump como “exaltada” e destacou que o tom enviado ao presidente Lula difere de comunicados tarifários anteriores. O jornal também traçou paralelos entre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília e o ataque ao Capitólio dos EUA em 2021, sugerindo que Trump defende Bolsonaro por identificar semelhanças em suas próprias ações após a derrota eleitoral de 2020.
Na América Latina, o argentino El Clarín descreveu a decisão como uma “medida drástica” e afirmou que ela inaugura uma guerra comercial entre os dois maiores países do continente, atualmente liderados por governos de espectros políticos opostos. O jornal ressaltou que Trump misturou motivações políticas e econômicas ao justificar o aumento da tarifa, que supera a média de 10% aplicada a outros países latino-americanos.