A Embraer anunciou nesta quinta-feira (10) que está avaliando os impactos da nova tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, preocupa o mercado e já provoca queda nas ações da companhia na bolsa.
Segundo a Embraer, o assunto será debatido internamente em conferência marcada para o início de agosto, enquanto negocia com autoridades para tentar reverter a tarifa.
Análise dos impactos e reação do mercado
O anúncio da tarifa de 50% para produtos brasileiros, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levou a Embraer a iniciar uma avaliação detalhada sobre os possíveis efeitos em seus negócios. A empresa, sediada em São José dos Campos (SP), informou que os impactos da medida serão discutidos na próxima conferência de resultados do segundo trimestre, agendada para 5 de agosto.
Em nota enviada ao g1, a Embraer destacou: “A Embraer informa que está avaliando os possíveis impactos em seus negócios da possibilidade de aumento de tarifa anunciada ontem pelo governo americano sobre os produtos brasileiros, caso o decreto se aplique à indústria de aviação no Brasil. Tais impactos serão abordados em nossa próxima conferência de resultados do segundo trimestre, no dia 05 de agosto”.
A empresa também declarou que está em diálogo com autoridades competentes para tentar restabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico.
Pedidos em andamento e contratos
De acordo com o balanço do primeiro trimestre, a Embraer possui 181 aviões comerciais encomendados por seis companhias aéreas dos Estados Unidos: American Airlines, Republic Airlines, Horizon Air, Azorra, AirCastle e SkyWest. Além disso, a SkyWest encomendou mais 60 aviões durante o Paris Air Show, em junho, em contrato avaliado em US$ 3,6 bilhões.
Queda nas ações e perspectivas do setor
Desde o anúncio da nova tarifa, as ações ordinárias da Embraer (EMBR3) registraram queda significativa na Bolsa de Valores. Por volta das 11h15, os papéis caíam 6,88%, cotados a R$ 72,75, chegando à mínima de R$ 71,63 no dia. O Ibovespa, no mesmo horário, recuava 0,74%, aos 136.459 pontos.
O mercado demonstra preocupação com uma possível guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo relatório da XP Investimentos, a Embraer é a empresa mais afetada, pois cerca de 24% de sua receita está exposta ao mercado norte-americano. O documento aponta risco de queda de 14% a 15% no lucro, já que a montagem final dos jatos executivos ocorre na Flórida, com peças produzidas no Brasil. O aumento dos custos pode levar à redução da demanda e ao adiamento de entregas.
Atualmente, a tarifa de exportação é de 10%, resultando em um custo de aproximadamente US$ 360 milhões. Com a nova alíquota de 50%, o custo pode saltar para US$ 1,8 bilhão, um aumento de 400%. As entregas dos aviões estão previstas para 2027, quando a empresa receberá os pagamentos.
Para Lucy Aparecida de Sousa, economista do Conselho Regional de Economia, ainda é cedo para prever impactos mais amplos, mas o setor já reage. “Todo mundo está analisando agora, mas o que tenho ouvido é que pode ser que ocorra um atraso combinado das próximas encomendas a ver as negociações em andamento. É muito prematuro para avaliar, digamos assim, um impacto, que espero, desejo fortemente, que seja o menor possível para os trabalhadores”, afirmou.