O governo brasileiro decidiu formar um grupo de trabalho interministerial para avaliar possíveis respostas à tarifa de 50% sobre produtos nacionais anunciada por Donald Trump.
Segundo o ministro Rui Costa, o grupo vai estudar medidas de retaliação aos EUA e alternativas para ampliar mercados, visando minimizar impactos nas exportações.
As discussões ocorrem enquanto autoridades dos dois países negociam para tentar reverter a decisão antes da tarifa entrar em vigor, em agosto.
Motivações e declarações de Trump
O ex-presidente Donald Trump justificou a imposição da tarifa como reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como “uma vergonha internacional” e “caça às bruxas”. Ele também acusou o Brasil, sem apresentar provas, de atacar a liberdade de expressão e empresas de tecnologia americanas, citando decisões do STF que teriam censurado plataformas de mídia social dos EUA.
Trump afirmou ainda que há uma desvantagem comercial dos EUA em relação ao Brasil. No entanto, dados oficiais mostram que desde 2009 o Brasil importa mais dos EUA do que exporta, acumulando déficit na balança comercial.
Reações do governo brasileiro
O presidente Lula declarou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e prometeu responder à tarifa de Trump com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Essa legislação permite ao governo adotar medidas como sobretaxas na importação de bens e serviços, suspensão de acordos comerciais e, em situações excepcionais, suspensão de direitos de propriedade intelectual, como royalties e patentes.
Lula também ressaltou que o julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é de responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira.
O Itamaraty manifestou descontentamento ao devolver a carta enviada pela embaixada dos EUA, em protesto. Fontes diplomáticas informaram que a embaixadora Maria Luisa Escorel considerou o conteúdo do documento “ofensivo” e “inaceitável”.