Política

Presidentes de partidos relatam afastamento de Lula e ausência de convites para reuniões

Líderes de siglas com ministérios no governo dizem que contato com presidente se limita a eventos e não há diálogo político direto

Presidentes de partidos que integram o governo Lula afirmam nunca terem sido convidados para reuniões diretas com o presidente. Líderes do MDB, União Brasil, PP e PSD relatam que o contato com Lula ocorre apenas em eventos públicos, sem discussões sobre política ou projetos. A queixa surge em meio à crise entre Executivo e Legislativo.

Distanciamento marca relação entre Lula e caciques partidários

O distanciamento entre Lula e presidentes de partidos com ministérios na Esplanada é apontado como um dos fatores que agravam o desgaste na relação entre Executivo e Legislativo. O cenário se intensificou com a disputa envolvendo o aumento do IOF, que contribuiu para o clima de tensão política.

Segundo relatos à TV Globo, os presidentes do MDB, União Brasil, PP e PSD afirmam que, apesar de suas legendas ocuparem cargos estratégicos no governo desde o início do terceiro mandato, não há convites para encontros privados com o presidente. A aproximação, desejada por Lula para fortalecer a governabilidade, ainda não ocorreu na prática, conforme os líderes partidários.

Reclamações de líderes partidários

No MDB, que ocupa os ministérios das Cidades, Transportes e Planejamento, aliados de Baleia Rossi expressam insatisfação pela ausência de convites de Lula para tratar de política ou alinhar estratégias com o Planalto.

No União Brasil, Antonio Rueda declarou ao Estúdio I, da GloboNews, que jamais foi chamado para conversar com Lula desde que assumiu a presidência da legenda. O partido controla as pastas das Comunicações e do Turismo.

Pelo PP, Ciro Nogueira, presidente da sigla e ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, afirmou que nunca foi convidado para reunião com Lula e, caso fosse, não aceitaria. Ele defende o afastamento do partido do governo.

No caso do PSD, Gilberto Kassab, que já esteve com Lula em três ocasiões desde janeiro de 2023, adota postura pragmática e não reclama do distanciamento, apesar de críticas à equipe econômica do governo.

Impactos e bastidores da relação política

O distanciamento entre Lula e os presidentes partidários ocorre em um momento de crise na articulação política do governo. A falta de diálogo direto é vista como obstáculo para a construção de maior sinergia entre o Palácio do Planalto e as legendas que compõem a base aliada.

O MDB, mesmo com três ministérios, sente-se preterido nas discussões estratégicas. O União Brasil, com duas pastas, também não vê espaço para interlocução. No PP, a liderança de Ciro Nogueira reforça o movimento de afastamento e oposição. Já o PSD, sob Gilberto Kassab, mantém postura menos crítica, mas destaca sua proximidade com o governo paulista de Tarcísio de Freitas.

Apesar do desejo manifestado por Lula de estreitar laços com os chefes partidários, a ausência de encontros reservados e discussões políticas persiste. O cenário pode impactar a governabilidade e a aprovação de projetos no Congresso, especialmente em temas sensíveis como o aumento do IOF.