O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os governos Temer e Bolsonaro pela queda de 46 das 53 universidades brasileiras no ranking global do CWUR. Lula prometeu que não faltará dinheiro para pesquisa e laboratórios em sua gestão. O governo anunciou recomposição parcial de recursos e discute orçamento fixo para as federais.
Queda no ranking e críticas à gestão anterior
Segundo o Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), a falta de investimentos governamentais foi o principal motivo para a queda das universidades brasileiras no ranking das 2 mil melhores do mundo. Apenas sete instituições do país subiram de posição em 2025, enquanto 46 caíram. A Universidade de São Paulo (USP) permanece como a melhor colocada, mas caiu para o 118º lugar, com queda nos indicadores de qualidade da educação, empregabilidade, corpo docente e pesquisa. Outras instituições de destaque são a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que subiu para 331ª, a Universidade de Campinas (Unicamp), em 369ª, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 454ª, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 476ª.
Lula, em entrevista à Rede Bahia, afirmou: “A queda na pesquisa é por conta de redução de investimento. E a gente não pode discutir isso sem lembrar que esse país em 2016 teve um golpe e depois teve a loucura do presidente Bolsonaro.” O presidente criticou os cortes de gastos em educação e garantiu que não faltarão recursos para pesquisa e novos laboratórios.
Recomposição de recursos e orçamento fixo
O governo federal anunciou uma recomposição parcial dos recursos para as instituições federais de ensino. Universidades e institutos federais poderão usar cerca de R$ 300 milhões antes bloqueados por restrições fiscais. Além disso, serão adicionados outros R$ 400 milhões ao orçamento, a partir de remanejamento no Ministério da Educação. O governo também trabalha em um projeto de lei para orçamento fixo das federais.
O presidente do CWUR, Dr. Nadim Mahassen, avaliou: “O Brasil está bem representado entre as melhores do mundo. No entanto, o que é alarmante é a queda das instituições acadêmicas do país devido ao enfraquecimento do desempenho em pesquisa e ao apoio financeiro limitado do governo.”
Conflitos em terras indígenas e busca por soluções
Durante a entrevista, Lula também abordou conflitos provocados por demarcações de terras indígenas, especialmente no extremo sul da Bahia. O presidente afirmou que o governo federal possui recursos para comprar terras, caso necessário, visando solucionar pacificamente os conflitos.
Lula declarou: “Nós temos vários conflitos no Brasil dessa natureza, cidades construídas em terras indígenas, e que nós vamos ter que encontrar um acordo porque eu não posso tirar a cidade, expulsar a cidade. Eu não posso expulsar as pessoas, temos que encontrar uma solução pacífica.”
Ele enfatizou que não deseja ver “pobre brigando com pobre”, referindo-se a indígenas e trabalhadores rurais, e defendeu que todos possam chegar a um acordo para evitar confrontos. “Se for preciso comprar, a gente tem dinheiro para comprar terra. Na política do tudo ou nada a gente fica sem nada”, concluiu Lula.