Ciência

USP lidera América Latina, mas 87% das universidades brasileiras caem no ranking global

Queda sistemática expõe anos de subfinanciamento enquanto China avança com 98% de suas instituições melhorando posições
Campus da USP em composição com mapa global mostrando ranking mundial universidades brasileiras 2026

A Universidade de São Paulo (USP) foi eleita a melhor da América Latina pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR) em 2026, ocupando o 119º lugar entre 21.291 instituições avaliadas globalmente. A conquista, porém, vem carregada de um alerta.

Das 52 universidades brasileiras presentes no ranking, 45 — ou 87% — recuaram de posição em 2026. Apenas cinco subiram, duas se mantiveram. O declínio é atribuído ao financiamento inadequado e à competição crescente com países que investem mais em ensino superior.

A USP caiu uma posição em relação ao ano anterior, penalizada por quedas nos indicadores de educação, corpo docente e pesquisa. No indicador de citações de artigos científicos — que representa metade do peso total da avaliação —, a universidade paulista ocupa a 82ª posição mundial, dentro do grupo que representa 0,6% das melhores faculdades do planeta.

A UFRJ e a Unicamp, segunda e terceira colocadas do Brasil, também recuaram. A Universidade Federal do Rio de Janeiro caiu 15 posições, chegando ao 346º lugar. A Unicamp desceu 10 postos e ocupa agora a 379ª colocação no ranking global. No total, 44 das 52 universidades brasileiras tiveram queda específica no indicador de pesquisa.

Metodologia questionada pela própria USP

A coordenadora responsável por analisar rankings na USP, Renata Eloah de Lucena Ferretti Rebustini, pondera que a metodologia do CWUR “privilegia indicadores que desfavorecem instituições que não estão no chamado Norte Global, o que pode ter interferido no posicionamento da Universidade”. Ela cita como exemplo a valorização de docentes e egressos laureados com prêmios como Nobel e Fields — distinções concentradas historicamente em países ricos.

Apesar das ressalvas metodológicas, a USP segue entre as principais universidades do mundo, em um universo de mais de 21 mil instituições avaliadas sem uso de pesquisas de opinião ou dados fornecidos pelas próprias instituições.

China supera os EUA e Harvard lidera pelo 15º ano seguido

No cenário global, Harvard mantém a liderança pelo 15º ano consecutivo, seguida pelo MIT e pela Stanford. Os Estados Unidos ainda dominam o topo da lista, mas enfrentam pressão crescente: 252 instituições americanas perderam posições nesta edição.

O grande destaque positivo do CWUR 2026 é a China. Cerca de 98% das universidades chinesas melhoraram suas posições, impulsionadas por investimentos contínuos em ensino superior. A Universidade Tsinghua, em 36º lugar, lidera o bloco. Com 360 instituições no Global 2000, a China supera pela primeira vez os Estados Unidos — que têm 313 — e se torna o país mais representado no ranking. Na Europa, Reino Unido, França e Alemanha registraram quedas generalizadas diante da competição global intensificada.

O diagnóstico para o Brasil

“O declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, avalia o Dr. Nadim Mahassen, presidente do CWUR. Para ele, a erosão do ensino superior prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro do país a longo prazo.

A edição de 2026 analisou 81 milhões de pontos de dados de 21.291 instituições em todo o mundo, com metodologia baseada em quatro indicadores objetivos, sem depender de informações enviadas pelas próprias universidades.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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