O senador Cleitinho (PL-MG) solicitou que o presidente Lula (PT) vete a proposta que eleva o número de deputados federais de 513 para 531. A medida, aprovada no Congresso, pode gerar impacto de pelo menos R$ 95 milhões anuais.
Cleitinho classificou o projeto como “escárnio” e questionou a coerência do Congresso ao aumentar gastos públicos. O texto foi aprovado na Câmara e no Senado, com margens apertadas de votos.
Críticas ao aumento de gastos públicos
Durante entrevista ao Estúdio I, da GloboNews, Cleitinho manifestou oposição ao aumento de despesas decorrente da ampliação do número de deputados federais. O senador afirmou: “Como a gente tem moral de apontar o dedo para o governo, mandar cortar gastos, se o Congresso está aumentando gasto?”.
Ele também rebateu argumentos de que não haveria acréscimo de custos: “Até ouvi alguns senadores dizendo que não vai aumentar. Como não vai aumentar gasto se vai aumentar [o número de] gabinetes?”.
O parlamentar ressaltou que o veto presidencial serviria para expor deputados e senadores que, segundo ele, defendem cortes, mas votam por mais despesas: “A gente está há um ano da eleição, [o veto é para] desmascarar cada deputado e senador que vai derrubar o veto do Lula e poder mostrar para a população brasileira aqueles que apontam o dedo, pedindo para cortar gastos, mas está, na verdade, querendo aumentar gasto. É um escárnio”.
Impacto financeiro e tramitação
Segundo a Direção-Geral da Câmara dos Deputados, o impacto orçamentário estimado apenas para a Casa seria de R$ 64,6 milhões por ano. O custo total, considerando o mandato de quatro anos dos parlamentares, pode alcançar R$ 380 milhões aos cofres públicos.
A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados por 270 votos a 207. Já no Senado, passou com 41 votos favoráveis, exatamente o mínimo necessário para aprovação.
O pedido de veto ocorre em meio a debates sobre responsabilidade fiscal e controle de gastos, especialmente em ano pré-eleitoral.