O Irã afirmou nesta sexta-feira (20) ter atacado um prédio do governo em Haifa, no norte de Israel, usando mísseis balísticos e drones, segundo a TV iraniana Nournews. O ataque ocorreu simultaneamente a bombardeios israelenses no Irã, elevando a tensão regional. Pelo menos 17 pessoas ficaram feridas em Israel, e uma mesquita foi atingida, de acordo com autoridades locais.
Detalhes do ataque e resposta israelense
De acordo com a TV iraniana Nournews, ligada ao regime de Ali Khamenei, o ataque em Haifa teve como alvo um prédio que abriga órgãos sensíveis do governo israelense. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou o uso de mísseis balísticos e drones, mirando instalações militares, indústrias de defesa e centros de comando em Israel. Explosões também foram registradas em Tel Aviv e Jerusalém, segundo a Reuters. O serviço de emergência Magen David Adom relatou ao menos 17 feridos em todo o país.
A prefeita de Haifa declarou ao The New York Times que prédios próximos ao principal porto foram atingidos. Vídeos nas redes sociais mostram que o ataque ocorreu nas proximidades do Ministério do Interior israelense. Fontes israelenses afirmam que falhas nos sistemas de defesa aérea permitiram que os mísseis atingissem seus alvos. O governo de Israel confirmou que uma mesquita foi atingida, ferindo religiosos, segundo o ministro das Relações Exteriores Gideon Saar.
Retaliação israelense e escalada militar
O ataque iraniano coincidiu com uma nova onda de bombardeios israelenses em regiões do Irã. O porta-voz do Exército de Israel anunciou que o país irá “aprofundar” os ataques, com foco em símbolos do regime iraniano, conforme declarado pelo ministro da Defesa, Israel Katz. Ele reiterou que o objetivo é desestabilizar o governo do Irã e intensificar as ações contra a ameaça nuclear iraniana.
Diplomacia e tentativas de solução
Enquanto o confronto se intensificava, ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha (E3) se reuniram nesta sexta-feira (20) em Genebra com o ministro iraniano Abbas Araqchi. O encontro, sugerido pelo Irã, buscou alternativas diplomáticas para o conflito e abordou também o programa nuclear iraniano. As negociações ocorrem após o colapso do diálogo entre Irã e EUA, interrompido por ofensiva militar israelense em 12 de junho.
Segundo um diplomata europeu, a intenção é persuadir o Irã a retomar as negociações nucleares e expressar preocupações sobre mísseis balísticos e apoio à Rússia. Entre os presentes estavam Johann Wadephul (Alemanha), Jean‑Noël Barrot (França), David Lammy (Reino Unido) e Kaja Kallas (União Europeia). Apesar de baixas expectativas de avanços, diplomatas consideram essencial manter o diálogo, já que o conhecimento técnico nuclear do Irã não pode ser desfeito.
Um funcionário iraniano reiterou o compromisso com a diplomacia, mas pediu ao E3 que pressione Israel a cessar os ataques. “O Irã continua comprometido com a diplomacia como único caminho para resolver disputas — mas a diplomacia está sob ataque”, afirmou.
Impacto regional e riscos
O Estreito de Ormuz, protegido pelos EUA, permanece como principal rota global de navios petroleiros, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo. O bloqueio da passagem é cogitado pelo Irã como retaliação em caso de ataques dos EUA, ampliando o risco de escalada internacional.