O mundo ganhou quase 2 milhões de novos milionários em 2025, elevando o total global para 25,3 milhões de pessoas, segundo o World Wealth Report divulgado nesta quinta-feira (4) pela Capgemini.
O patrimônio coletivo desse grupo cresceu 8,7% e atingiu US$ 98,3 trilhões — o maior avanço anual desde 2018. Dois fatores explicam o salto: o forte desempenho das bolsas de valores e a queda da inflação em diversas economias.
Crescimento desigual entre as regiões
A Capgemini define milionários como indivíduos com mais de US$ 1 milhão — cerca de R$ 5 milhões — disponíveis para investimento, excluindo o valor do imóvel principal.
O maior avanço foi registrado na Ásia-Pacífico, com alta de 9,4%, impulsionado pelo setor de semicondutores. Japão e China lideraram o crescimento na região.
Na América do Norte, o número subiu 9,1%. Só nos Estados Unidos, mais de 736 mil pessoas ingressaram no grupo, elevando o total americano para 8,7 milhões de milionários.
Europa cresceu 6,5%, África registrou alta de 4,1% e a América Latina avançou 0,3%. A única região com queda foi o Oriente Médio, onde o número de milionários recuou 1,4% — reflexo da desvalorização do petróleo no período anterior.
Riqueza cada vez mais concentrada
O dado mais expressivo do relatório é sobre concentração: 1% dos milionários detém 34,8% de toda a riqueza acumulada pelo grupo. Essa realidade alimenta o debate global sobre tributação de grandes fortunas — e é exatamente o argumento que o ministro Dario Durigan levou ao G7 para defender um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios acima de US$ 100 milhões.
Ultra-ricos também batem recorde
A consultoria também mapeou os chamados ultra-ricos — indivíduos com patrimônio líquido de ao menos US$ 30 milhões (R$ 151 milhões). Esse segmento cresceu 9,4% em 2025 e chegou a aproximadamente 250 mil pessoas no planeta.
A pesquisa foi baseada em entrevistas com 6.510 indivíduos de alto patrimônio nas Américas, Europa, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O World Wealth Report é publicado anualmente pela Capgemini e é uma das principais referências globais sobre distribuição de riqueza.
O contraste entre regiões revela como setores econômicos específicos moldaram a riqueza em 2025: enquanto os semicondutores geraram o maior crescimento na Ásia-Pacífico, a dependência do petróleo penalizou o Oriente Médio — única região com retração no número de milionários no período analisado.
