O Irã optou por não bloquear o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques de Israel e EUA, apesar de deter esse trunfo estratégico. A passagem é vital para o escoamento de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Um bloqueio prejudicaria não apenas a economia global, mas também as receitas iranianas, além de impactar relações com parceiros como a China e vizinhos do Oriente Médio.
Importância do Estreito de Ormuz para o Irã e o mundo
O Estreito de Ormuz é uma rota essencial para o transporte de petróleo, condensado e combustíveis, movimentando diariamente cerca de 20 milhões de barris. Caso fosse bloqueado, o impacto seria sentido em toda a economia global. O Irã, mesmo sob sanções internacionais há anos, mantém suas exportações de petróleo, tendo a China como principal compradora. Em 2023, o país exportou mais de US$ 35 bilhões em petróleo, segundo o ministro do Petróleo, Javad Owji, citado pelo jornal britânico Financial Times.
Segundo a agência EIA dos EUA, a economia iraniana é relativamente diversificada, mas depende fortemente das exportações de petróleo e gás, que juntos representam cerca de 29% das exportações totais do país. Em 2023, o Irã foi o quarto maior produtor de petróleo bruto da Opep e o terceiro maior produtor de gás natural seco em 2022.
Exportações e relações com a China
A despeito das sanções, o Irã segue exportando petróleo, com quase 90% do volume destinado à China em 2023. A emissora Iran International aponta que o petróleo iraniano é vendido com desconto de 20% devido aos riscos das sanções. A Rystad Energy estima que 10% do petróleo importado pela China venha do Irã, sendo as refinarias chinesas as principais compradoras, muitas vezes por meio de intermediários que misturam o produto e declaram como importações de outros países.
Consequências de um bloqueio e impacto regional
Bloquear o Estreito de Ormuz traria prejuízos diretos ao próprio Irã, reduzindo suas receitas com petróleo e podendo gerar atritos com a China, seu principal parceiro comercial. Além disso, países vizinhos como Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos também dependem da passagem para exportação de petróleo. Segundo o economista Justin Alexander, tal medida minaria as alianças regionais do Irã.
O analista Homayoun Falakshahi, da Kpler, avalia que um bloqueio poderia ser rapidamente revertido por ação militar dos EUA e aliados europeus, estimando que o Irã conseguiria manter o estreito fechado por no máximo dois dias.
Sanções, inflação e impacto interno
A população iraniana já enfrenta dificuldades devido às sanções e à desvalorização da moeda. O economista Djavad Salehi-Isfahani, da Virginia Tech, destaca que o padrão de vida no Irã retrocedeu ao patamar de vinte anos atrás. Em maio de 2025, a inflação anual superou 38,7%, tornando o custo de vida cada vez mais elevado. Um novo agravamento econômico não seria bem recebido internamente, o que também pesa na decisão do governo iraniano de não recorrer ao bloqueio do Estreito de Ormuz.