O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, respondeu nesta sexta-feira (27) às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre novos ataques ao Irã caso o país continue enriquecendo urânio. Araqchi criticou o tom de Trump e provocou Israel, afirmando que o regime israelense precisou “correr para o papai” para evitar ser esmagado pelos mísseis iranianos.
As declarações ocorrem após 12 dias de conflito entre Israel e Irã, encerrados por um cessar-fogo considerado frágil. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os ataques ao Irã foram “apenas uma prévia” e prometeu manter a pressão militar.
Troca de ameaças e provocações após conflito
Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar em coletiva na Casa Branca que “sem dúvida nenhuma” voltaria a atacar o Irã caso o país siga enriquecendo urânio, o chanceler iraniano Abbas Araqchi respondeu em tom firme. Em mensagem na rede X, Araqchi destacou que os iranianos valorizam sua independência e não aceitam ameaças. Ele pediu que Trump “deixe de lado o tom desrespeitoso e inaceitável” em relação ao líder supremo do Irã, o Grande Aiatolá Khamenei, e criticou insultos aos seguidores do líder.
Araqchi ainda alfinetou Israel ao dizer que o regime israelense “NÃO TINHA ESCOLHA a não ser CORRER para o ‘papai’ para evitar ser esmagado por nossos mísseis”. A referência ao “papai” remete à fala do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que comparou a postura de Trump diante de Teerã e Tel Aviv à de um pai repreendendo filhos. Araqchi também afirmou que o Irã poderá mostrar suas “reais capacidades” militares no futuro.
Trump reforça postura e critica Khamenei
Trump, por sua vez, declarou que a guerra foi uma “tremenda vitória” para os EUA e Israel, e que os iranianos não terão mais programa nuclear. Ele acusou o aiatolá Ali Khamenei de mentir à população iraniana e disse ter salvo o líder de uma morte “feia e humilhante”. Trump afirmou ainda que o Irã “quer se encontrar” para negociar, algo negado por autoridades iranianas.
O Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos e nega encerrar o enriquecimento de urânio. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relatou níveis acima do permitido, mas sem provas de bomba nuclear. O Irã suspendeu a cooperação com a agência após os ataques.
Israel promete manter pressão e prepara novos planos
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os ataques ao Irã durante os 12 dias de guerra foram “apenas uma prévia” e que instruiu as Forças de Defesa a preparar um “plano de dissuasão contínuo”. Katz disse que o objetivo é manter a superioridade aérea, impedir avanços nos programas nuclear e de mísseis iranianos e reagir a atividades consideradas terroristas.
Apesar das ameaças, o cessar-fogo entre Israel e Irã segue em vigor, embora seja considerado frágil. O governo iraniano advertiu que responderá a qualquer novo ataque israelense. A imprensa israelense informou que o Mossad enviou mensagem à população iraniana alertando para o risco de ataques a instalações militares.
O comandante das Forças Aéreas de Israel, general Tomer Bar, afirmou que o país pode ter aeronaves sobre Teerã “sempre que escolhermos”. Durante o conflito, bombardeios israelenses destruíram defesas aéreas iranianas, o que levou Trump e Netanyahu a reivindicarem “total controle” do espaço aéreo do Irã.