Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que o Tratado de Não Proliferação Nuclear está “em risco”. A declaração surge após ataques dos EUA a instalações nucleares do Irã, discutidos em reunião do Conselho de Segurança da ONU neste domingo (22).
O Irã, signatário do tratado, mantém programa nuclear para fins energéticos, mas afirmou que não discutirá o tema enquanto estiver sob ataque.
Reações no Conselho de Segurança da ONU
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu para debater os recentes ataques americanos às instalações nucleares iranianas. Durante a sessão, Rússia, China e Paquistão propuseram uma resolução por cessar-fogo imediato e incondicional no Oriente Médio, circulando um rascunho aos demais membros e solicitando comentários até a noite de segunda-feira. Para aprovação, a resolução precisa de nove votos favoráveis e nenhum veto dos membros permanentes.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o bombardeio como uma “reviravolta perigosa” e alertou para o risco de uma escalada de retaliações. Ele defendeu ações imediatas para interromper os combates e retomar negociações sérias sobre o programa nuclear do Irã. O país solicitou que o Conselho condene o ataque “nos termos mais fortes possíveis”.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, elogiou as ações dos EUA e Israel, afirmando que “tornaram o mundo mais seguro”. Já os representantes da Rússia e China condenaram os ataques, defendendo diálogo e negociação como caminhos para a paz e ressaltando que ainda há esperança de solução pacífica para a questão nuclear iraniana.
A embaixadora interina dos EUA, Dorothy Shea, afirmou que era hora de Washington agir e pediu ao Conselho que pressione o Irã a abandonar esforços nucleares e hostilidades contra Israel. Ela acusou o Irã de “ofuscar” seu programa de armas nucleares e bloquear negociações recentes.
O embaixador russo, Vassily Nebenzia, relembrou o episódio em que Colin Powell defendeu no Conselho de Segurança da ONU, em 2003, a existência de armas químicas e biológicas no Iraque, sugerindo que os EUA repetem padrões de justificar ações militares na região. “Mais uma vez, somos solicitados a acreditar nos contos de fadas dos EUA, para mais uma vez infligir sofrimento a milhões de pessoas que vivem no Oriente Médio”, afirmou Nebenzia, criticando a postura americana.
O contexto da crise revela o impasse internacional em torno do programa nuclear iraniano, com pressões por negociações diplomáticas e alertas sobre os riscos de escalada militar. O futuro do Tratado de Não Proliferação Nuclear permanece incerto diante das recentes tensões e da falta de consenso entre as potências globais.