O Parlamento do Irã aprovou neste domingo (22) o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota marítima do petróleo mundial, em retaliação ao bombardeio dos EUA contra instalações nucleares iranianas. A medida ainda precisa de aprovação do Conselho de Segurança e do aiatolá Khamenei, mas já provoca temores de alta nos preços do petróleo, inflação global e turbulência nas bolsas.
Analistas projetam aumento imediato de até 20% no preço do barril e possível escalada para 40% se o conflito se prolongar. O bloqueio pode afetar cadeias de suprimentos, elevar custos de energia e pressionar economias dependentes da commodity.
Impactos econômicos e geopolíticos
O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo, segundo a Agência Internacional da Energia (AIE), além de ser crucial para o fluxo de gás natural liquefeito. O fechamento da rota ameaça reduzir drasticamente a oferta mundial, o que pode provocar disparada no preço do barril. Segundo o economista André Perfeito, o Brent pode saltar dos atuais US$ 77,27 para US$ 92,00 rapidamente, e até ultrapassar US$ 110 caso o conflito se agrave, patamar próximo ao pico de 2022.
O bloqueio também deve pressionar a inflação global. Analistas do JPMorgan consideram esse o “pior cenário possível”, podendo elevar a inflação dos EUA para 5%. O especialista Jackson Campos alerta para um “efeito dominó” na economia mundial, com aumento dos custos de combustíveis, frete e produtos, além de atrasos e escassez de insumos. Para o Brasil, a expectativa é de alta nos preços da gasolina, diesel e alimentos, além de impacto nas exportações e importações.
Reação dos mercados
Os mercados financeiros já reagem com aversão ao risco. Bolsas devem abrir em queda, o dólar tende a se valorizar e criptomoedas como ether e bitcoin já registram perdas. Marcos Praça, da Zero Markets Brasil, prevê abertura no vermelho e alerta para possível agravamento caso o bloqueio se confirme. Mark Spindel, da Potomac River Capital, destaca que a incerteza e volatilidade vão dominar os mercados, especialmente no setor de energia.
O Parlamento iraniano aprovou o fechamento após o ataque dos EUA a instalações nucleares, mas a medida ainda depende do aval do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do aiatolá Khamenei. O estreito, protegido pelos EUA, é vital para exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, que já buscam rotas alternativas. O Catar, grande exportador de gás, também depende da via.
Contexto do conflito e repercussão internacional
A decisão do Parlamento do Irã ocorre em meio à escalada do conflito com Israel e aos recentes bombardeios dos EUA contra instalações nucleares iranianas. Imagens mostram danos à instalação de Fordow, considerada peça-chave do programa nuclear do país. O chanceler iraniano, Araqchi, declarou que os EUA “cruzaram linha vermelha” e anunciou reunião com Putin em Moscou.
Líderes globais reagem com preocupação. O secretário-geral da ONU alertou para o risco de descontrole do conflito, enquanto países como Israel, Colômbia, União Europeia e nações do Golfo manifestaram apreensão. Após o ataque, comentaristas iranianos afirmaram que cidadãos e militares americanos na região se tornaram alvos legítimos, e enviaram recado ao presidente dos EUA: “Trump, você começou. Nós vamos terminar.”
Estratégias e alternativas logísticas
Emirados Árabes e Arábia Saudita tentam rotas alternativas para escoar petróleo, mas a capacidade ociosa dos oleodutos é limitada. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade extra em junho do ano passado, insuficiente para compensar totalmente o fechamento de Ormuz.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e possui apenas 33 km de largura em seu ponto mais estreito, com canais de navegação de 3 km em cada direção. Entre 2022 e maio deste ano, passaram pelo local de 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia. A via é considerada a “artéria” do trânsito mundial de petróleo, fundamental para a estabilidade energética global.