O presidente da Câmara, Hugo Motta, designou o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) como relator do projeto que visa derrubar decretos do governo Lula sobre o aumento do IOF. O anúncio foi feito na noite de terça (24), e a proposta pode ser votada ainda nesta quarta-feira (25).
A decisão, que atendeu demandas da oposição e de parlamentares de centro, provocou forte reação da base governista e do líder do PT na Câmara.
Decisão e contexto político
A escolha de Coronel Chrisóstomo como relator foi oficializada após pressão de oposicionistas e do centro, insatisfeitos com a condução da equipe econômica e a demora na execução de emendas parlamentares. O projeto, incluído de última hora na pauta da Câmara, propõe suspender os efeitos de normas editadas pelo presidente Lula em maio e junho, que aumentaram as tarifas do IOF em operações de crédito e compra de moeda estrangeira.
Segundo lideranças da Câmara, o relatório de Chrisóstomo deve sugerir a derrubada de todos os decretos do governo referentes ao aumento do IOF no período.
Reação do governo e da oposição
A base governista reagiu negativamente à decisão. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a escolha de Chrisóstomo representa falta de diálogo e classificou a nomeação como “provocação meio infantil”. Parlamentares aliados ao Planalto criticaram a falta de comunicação sobre a mudança na agenda de votações, considerando o anúncio uma “surpresa”.
Enquanto isso, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), celebrou a relatoria, destacando que o partido representa a luta por justiça fiscal e alívio ao povo brasileiro.
A nomeação de Chrisóstomo também chama atenção por ele ter sido autor de pedido para criação de uma CPI sobre desvios e fraudes na Previdência Social, reforçando seu perfil de enfrentamento ao governo. A inclusão do projeto na pauta foi vista como um aceno de Hugo Motta à oposição, em meio ao descontentamento com a condução econômica do governo Lula.
Após o anúncio, ministros e parlamentares governistas mobilizaram-se nas redes sociais para defender os decretos do IOF, argumentando que a medida era necessária para ajustes fiscais. O episódio evidencia o clima de tensão entre o Legislativo e o Executivo, com a oposição buscando ampliar sua influência sobre temas econômicos sensíveis.