O dólar apresentou volatilidade nesta quarta-feira (25), sendo cotado a R$ 5,5419 por volta das 09h30, enquanto o Ibovespa só inicia operações às 10h.
A moeda norte-americana já havia subido 0,29% na véspera, refletindo o cenário internacional e as tensões políticas e econômicas.
O mercado monitora o cessar-fogo entre Irã e Israel, a proximidade do fim da suspensão de tarifas dos EUA, falas de Jerome Powell e o impasse sobre o IOF no Brasil.
Cenário internacional influencia o câmbio
O segundo dia de trégua entre Irã e Israel trouxe alívio aos mercados, favorecendo o apetite por risco e ajustes nos preços do petróleo. As bolsas asiáticas tiveram alta, enquanto as europeias operaram de forma mista diante de discussões sobre gastos militares na Otan. O conflito iniciado em 13 de junho, com ataques mútuos e mais de 240 mortos, havia pressionado os mercados globais e o transporte de petróleo.
Além disso, a guerra comercial segue no radar. O prazo de suspensão do tarifaço dos EUA, imposto por Donald Trump, está próximo do fim. A União Europeia prepara tarifas retaliatórias, segundo o Financial Times, e o Paquistão prevê concluir negociações com os norte-americanos na próxima semana. O temor é de que novas tarifas elevem preços, pressionem a inflação e desacelerem a economia global.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que o banco central dos EUA aguarda os efeitos das tarifas antes de decidir sobre juros. Powell, criticado por Trump, disse que aumentos tarifários devem pesar sobre a atividade econômica. Trump voltou a exigir cortes de juros e chamou Powell de “burro” e “teimoso”.
Desempenho dos mercados
No acumulado da semana, o dólar caiu 0,11%; no mês, recuou 3,48%; e no ano, 10,69%. Já o Ibovespa subiu 0,04% na semana, 0,10% no mês e 14,03% no ano.
Impasses sobre o IOF no Brasil
O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) voltou ao centro das atenções. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), anunciou que a proposta para suspender o decreto do aumento do imposto será pautada nesta quarta-feira (25). O anúncio surpreendeu o governo, que argumenta não poder abrir mão da arrecadação imediata.
Motta afirmou que a votação atende à maioria da Casa e que não se pode aceitar aumento de imposto para resolver problemas fiscais. Segundo apuração do Blog do Camarotti, o governo teme paralisação do Orçamento e atraso no pagamento de emendas parlamentares caso a medida avance. A expectativa era aguardar o relatório bimestral das contas públicas, previsto para 22 de julho, antes de decidir sobre o IOF.
Há insatisfação entre Executivo e Legislativo, principalmente por atrasos nas liberações de emendas. O governo diz estar acelerando os repasses e articula para tentar reverter a votação e segurar a pauta.