O dólar apresentou volatilidade nesta terça-feira (24), alternando entre altas e baixas diante das tensões entre Israel e Irã e da divulgação da ata do Copom. Por volta das 13h30, a moeda subia 0,07%, cotada a R$ 5,5064, enquanto o Ibovespa registrava alta de 1,02%, alcançando 137.947 pontos. A instabilidade reflete o impacto do cenário internacional e das decisões de política monetária no Brasil.
Conflito entre Israel e Irã e impacto nos mercados
Após ataques mútuos entre Israel e Irã, incluindo o lançamento de mísseis iranianos contra uma base americana no Catar, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite de segunda-feira (23) um acordo de cessar-fogo entre os países, mediado com o emir do Catar. No entanto, o acordo foi rapidamente rompido, com ambos os lados se acusando de violação já na manhã de terça-feira. Trump declarou que não estava satisfeito com as ações e exigiu que Israel não retomasse bombardeios ao Irã, alertando para uma “grande violação” caso isso ocorra.
Os confrontos, iniciados em 13 de junho, já resultaram em mais de 240 mortes e milhares de feridos, segundo dados oficiais, com estimativas independentes sugerindo números ainda maiores. A escalada do conflito pressionou os preços do petróleo, mas a resposta controlada de Teerã trouxe alívio e provocou queda na commodity. Analistas avaliam que o Irã não pretende interromper o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, reduzindo riscos de disparada nos preços globais.
Desempenho do dólar e Ibovespa
O dólar acumula queda de 0,40% na semana, 3,77% no mês e 10,96% no ano. O Ibovespa, por sua vez, registra queda de 0,41% na semana, 0,35% no mês, mas alta de 13,52% no ano. Os mercados globais reagiram positivamente à expectativa de que o conflito não se intensifique.
Política monetária e perspectivas econômicas
A divulgação da ata da última reunião do Copom nesta terça-feira trouxe tom brando, indicando que os efeitos dos juros elevados ainda devem desacelerar a economia nos próximos meses. O Banco Central reconheceu uma melhora no cenário de inflação de curto prazo, mas alertou para incertezas internacionais e projeções de alta de preços. Na semana anterior, o Copom elevou a Selic para 15% ao ano, maior patamar em quase vinte anos, medida que visa conter a inflação ao desestimular o consumo.
Nos Estados Unidos, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara que ainda é cedo para avaliar os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio. Powell reforçou que o Fed aguardará novos estudos para analisar os efeitos do aumento de tarifas promovido por Trump antes de decidir sobre as taxas de juros. “Os aumentos de tarifas neste ano provavelmente elevarão os preços e pesarão sobre a atividade econômica”, declarou Powell.
O contexto internacional, aliado à política monetária doméstica, segue determinando o comportamento do câmbio e da bolsa brasileira, com investidores atentos a novos desdobramentos no Oriente Médio e às decisões do Banco Central.