Política

Brasil mantém relações diplomáticas e comerciais com o Irã há mais de um século

Comércio, diplomacia e episódios recentes marcam a relação entre os dois países em meio à tensão no Oriente Médio

O Brasil e o Irã mantêm relações diplomáticas desde 1903, apesar da distância geográfica e diferenças culturais.

Em 2024, o comércio bilateral chegou a US$ 3 bilhões, com superávit brasileiro e crescimento de exportações.

Visitas oficiais e episódios polêmicos, como a presença de navios iranianos no Rio, marcaram a relação recente.

Comércio bilateral e acordos vigentes

O relacionamento entre Brasil e Irã é pragmático, sustentado por acordos comerciais, culturais e de vistos. Atualmente, existem 22 atos internacionais em vigor entre os dois países. Em 2024, o comércio bilateral movimentou US$ 3 bilhões, com um superávit de US$ 2,994 bilhões a favor do Brasil. As exportações brasileiras para o Irã cresceram 30,7% em relação ao ano anterior.

Os principais produtos exportados pelo Brasil são milho não moído (31%), soja (28%), farelo de soja (28%) e açúcares e melaços (14%). Já as importações brasileiras do Irã concentram-se em frutas e nozes frescas ou secas (52%), vidraria (9,2%), produtos farmacêuticos (8,5%) e tabaco descalcificado (8,4%).

Visitas oficiais e episódios recentes

A aproximação política ganhou destaque a partir de 2023, com reuniões ministeriais e episódios como a visita de navios de guerra iranianos ao Porto do Rio de Janeiro. O episódio gerou críticas de autoridades dos Estados Unidos e de Israel, além de debates no Senado brasileiro. No mesmo ano, o Brasil apoiou a entrada do Irã no BRICS, o que provocou ressalvas da comunidade judaica no país e reações negativas internacionais.

Entre as visitas recentes, destacam-se: setembro de 2015, quando o chanceler Mauro Vieira visitou Teerã; abril de 2018, com a visita do ministro iraniano Mohammad Javad Zarif a Brasília; e julho de 2024, quando o vice-presidente Geraldo Alckmin participou da posse do presidente eleito Masoud Pezeshkian em Teerã.

O Brasil e o acordo nuclear de 2010

Em 2010, o Brasil teve papel relevante ao mediar, junto com a Turquia, um acordo sobre o programa nuclear iraniano. O chamado Acordo Brasil-Turquia-Irã previa que o Irã enviasse urânio pouco enriquecido à Turquia e, em troca, recebesse material enriquecido de países como Estados Unidos, França e Rússia, para garantir o uso pacífico da energia nuclear. Apesar do apoio brasileiro, o acordo não foi acolhido pelas potências ocidentais e não avançou.

Comunidade brasileira no Irã

Segundo o Itamaraty, vivem atualmente pouco menos de 200 brasileiros no Irã, a maioria em áreas urbanas. A empresária alagoana Kyara Calheiros, que está no país desde abril, relatou ao g1 que moradores de Teerã e de outras grandes cidades têm buscado refúgio em vilas do interior para escapar de bombardeios.

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