O governo de Israel anunciou assistência a políticos brasileiros que desejam deixar o país devido ao aumento da tensão com o Irã.
Simultaneamente, a Força Aérea Brasileira afirmou estar pronta para repatriar brasileiros, caso haja decisão oficial.
Delegações brasileiras já cruzaram a fronteira para a Jordânia, em ações coordenadas pelo Itamaraty e embaixadas.
Em comunicado divulgado pela embaixada de Israel em Brasília nesta quinta-feira (19), o Ministério das Relações Exteriores israelense informou que liderou e coordenou esforços para garantir a saída segura de delegações brasileiras. Segundo o texto, as delegações já deixaram o território israelense e cruzaram a fronteira com a Jordânia. O ministério declarou que continua atento à situação e seguirá prestando assistência conforme necessário.
Nos últimos dias, diversas autoridades brasileiras que estavam em Israel retornaram ao Brasil após negociações do Itamaraty com diplomacias de Israel, Jordânia e Arábia Saudita. As permissões para cruzar fronteiras e obtenção de vistos foram articuladas por meio das embaixadas brasileiras nesses países. Os voos realizados foram comerciais ou privados, sem uso de aeronaves da FAB.
Nesta quinta-feira, 13 das 27 autoridades que cruzaram a fronteira embarcaram para o Brasil, enquanto as demais têm retorno previsto para sexta-feira (20), conforme a Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O Ministério das Relações Exteriores orienta que brasileiros evitem viagens para Israel e Irã. Para quem já está nesses países, recomenda-se sair de casa apenas se for seguro, seguir orientações das embaixadas e manter a documentação em dia.
Repatriação e riscos de conflito
Após solicitação do senador Nelsinho Trad, a FAB enviou ofício ao Congresso Nacional informando estar “em condições” de realizar missão de repatriação de brasileiros em Israel, diante do agravamento do cenário de guerra entre Israel e Irã. O documento, assinado pelo major-brigadeiro do Ar Antônio Luiz Godoy Soares Rodrigues, ressalta que a ação depende de determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e articulação entre os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa.
Segundo relatos de integrantes da FAB e do Congresso, a corporação está pronta para agir “a qualquer momento”. Operações semelhantes já ocorreram em conflitos anteriores envolvendo Israel, Hamas e Hezbollah, sempre dependendo de autorização do uso do espaço aéreo e articulação diplomática.
Posicionamento do governo brasileiro
O governo Lula condenou o ataque israelense a instalações iranianas, alegando que a ação fere a soberania do Irã e pode ampliar o conflito regional. O governo também critica frequentemente as ações militares israelenses na Faixa de Gaza, classificando-as como “genocídio” e “carnificina”.