Após o ataque dos EUA ao Irã, anunciado por Donald Trump como a “aniquilação” do programa nuclear iraniano, autoridades americanas e internacionais admitem não saber o destino do estoque de urânio do país.
Divergências entre declarações dos EUA, Irã e ONU alimentam suspeitas de que o material pode ter sido escondido antes do ataque, enquanto a Agência Internacional de Energia Atômica afirma não haver aumento nos níveis de radiação.
Possíveis destinos do urânio iraniano
Três hipóteses principais circulam sobre o que ocorreu com o estoque de urânio do Irã após o ataque dos EUA. A primeira, defendida por Donald Trump, sugere destruição total do material. A segunda, levantada pelo vice-presidente americano JD Vance, indica que parte do urânio pode ter sobrevivido. A terceira hipótese, sustentada por autoridades iranianas, aponta que o material foi removido e escondido previamente.
Em entrevista ao programa “This Week” da ABC, JD Vance afirmou: “Trabalharemos nas próximas semanas para garantir que façamos algo com esse combustível [o estoque de urânio, que pode ser usado para armamento nuclear], e esse é um dos assuntos sobre os quais conversaremos com os iranianos”. A fala sugere incerteza dentro do próprio governo americano quanto ao destino do estoque.
Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relatou não ter detectado aumento nos níveis de radiação após o ataque, o que indica que o material radioativo pode não ter sido destruído no local.
Indícios de ocultação e impacto nas instalações
Movimentação suspeita antes do ataque
Fontes israelenses ao New York Times relataram que o Irã transferiu equipamentos e urânio de Fordow e Isfahan nos dias anteriores ao bombardeio. Imagens de satélite mostraram 16 caminhões de carga próximos à entrada dos túneis de Fordow, sugerindo preparação para retirada do material.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, declarou à CNN que “o Irã não escondeu que protegeu este material” e que ninguém, nem mesmo a agência, está “em posição de avaliar os danos subterrâneos”. Grossi pediu o retorno de inspetores aos sítios nucleares para contabilizar os estoques, especialmente os 400 kg de urânio enriquecido a 60%.
Reação iraniana e danos visíveis
Hassan Abedini, vice-diretor político da emissora estatal iraniana, afirmou que o Irã “não sofreu um grande golpe porque os materiais já haviam sido retirados”. Imagens de satélite após o ataque mostram crateras e detritos em Fordow, mas especialistas como Stu Ray, da McKenzie Intelligence Services, explicam que as bombas americanas são projetadas para detonar em áreas profundas, o que pode justificar a ausência de danos superficiais significativos.