O confronto entre Israel e Irã chegou ao nono dia nesta sexta-feira (20), sem sinais de cessar-fogo. Ataques aéreos e mísseis atingem alvos civis e militares em ambos os países, com mais de 240 mortos e milhares de feridos. A ONU alerta para o risco de a situação sair do controle, enquanto os Estados Unidos avaliam uma possível entrada direta no conflito.
Escalada de violência e impactos
O conflito teve início em 13 de junho, quando Israel lançou a operação “Leão em Ascensão” contra alvos nucleares iranianos, visando impedir o avanço do programa atômico do Irã. Desde então, ambos os países trocam ataques intensos: Israel bombardeou infraestruturas militares, nucleares e residenciais no Irã, enquanto Teerã respondeu com mísseis balísticos e drones contra cidades como Tel Aviv, Haifa, Jerusalém e Beersheba.
O saldo oficial já ultrapassa 240 mortos, incluindo civis e militares de ambos os lados, e milhares de feridos. Entre as vítimas, estão cientistas nucleares iranianos e comandantes militares, como Mohammad Bagheri e Hossein Salami. Israel também sofreu baixas, com mortos e feridos após ataques a prédios residenciais e hospitais, como o Soroka, em Beersheba.
O centro da disputa é o programa nuclear iraniano. Israel alega que o Irã está próximo de obter uma bomba atômica, justificando a ofensiva para neutralizar a ameaça. Órgãos independentes apontam danos à infraestrutura atômica iraniana, mas especialistas avaliam que o programa nuclear ainda não foi neutralizado.
Os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, reforçaram a presença militar no Oriente Médio e exigem a rendição incondicional do Irã. Trump declarou que tomará uma decisão sobre o envolvimento direto dos EUA nas próximas duas semanas, enquanto envia caças e tropas para a região.
Diplomacia, ameaças e repercussão internacional
As tentativas de negociação seguem sem avanços. O chanceler iraniano Abbas Araqchi se reuniu com ministros europeus em Genebra, mas as partes divergiram sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Enquanto a União Europeia busca impedir que o Irã tenha armas nucleares, Araqchi afirmou que as capacidades defensivas do país não são negociáveis.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que todos os lados “deem uma chance à paz”, alertando para o risco de uma guerra incontrolável. A escalada preocupa líderes globais, incluindo Vladimir Putin, que mencionou o potencial crescente para conflitos mundiais.
O Irã ameaça atacar bases americanas caso os EUA entrem diretamente no conflito. Israel, por sua vez, mantém o compromisso de eliminar as ameaças nucleares e militares iranianas, não descartando ações contra o aiatolá Ali Khamenei. A população civil sofre com alertas constantes, destruição de infraestrutura e restrições, como queda de internet e bloqueio de comunicações.
O Brasil condenou o ataque de Israel e pediu o fim das hostilidades. Analistas alertam que a entrada dos EUA pode ampliar o confronto, gerando instabilidade no Oriente Médio e impactos na economia global.