Meio ambiente

AIEA alerta para risco de desastre nuclear em caso de ataque à usina de Bushehr

Rafael Grossi afirma que bombardeio à instalação iraniana pode liberar radioatividade e causar restrições alimentares

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, alertou nesta sexta-feira (20) no Conselho de Segurança da ONU para o risco de desastre nuclear caso a usina de Bushehr, no Irã, seja bombardeada.

Apesar dos recentes ataques israelenses, a agência não detectou vazamentos de radiação, mas reforçou a necessidade de moderação e acesso de inspetores para verificar materiais enriquecidos.

Alerta internacional sobre riscos nucleares

Durante sessão no Conselho de Segurança da ONU, Rafael Grossi detalhou que a usina de Bushehr abriga milhares de quilogramas de material nuclear, tornando-se o principal ponto de preocupação em caso de ataque. Segundo ele, um bombardeio à planta poderia provocar a liberação de radioatividade a centenas de quilômetros, exigindo restrições alimentares em larga escala.

Grossi enfatizou que, embora não tenham sido detectadas emissões de radiação após oito dias de ataques israelenses contra infraestruturas nucleares iranianas, o perigo permanece. Os bombardeios, iniciados por Israel em 13 de junho, visavam impedir o desenvolvimento de armas atômicas pelo Irã, que respondeu com o lançamento de drones e mísseis contra território israelense.

O chefe da AIEA ressaltou a importância de permitir o acesso de inspetores para verificar materiais enriquecidos a 60%, destacando que ataques contra esses materiais dificultam o trabalho de monitoramento da agência.

Repercussão internacional e consequências dos ataques

Os confrontos recentes resultaram em pelo menos 224 mortos no Irã e 25 em Israel, além da morte de responsáveis militares e cientistas iranianos e danos à infraestrutura nuclear do país.

No mesmo fórum da ONU, o secretário-geral António Guterres pediu uma “oportunidade à paz”. Paralelamente, em Genebra, teve início um diálogo sobre o programa nuclear iraniano entre o chefe da diplomacia do Irã e representantes da União Europeia, França, Alemanha e Reino Unido.

Grossi reforçou que, além dos riscos radiológicos, os ataques dificultam o controle internacional sobre os materiais nucleares iranianos, aumentando a preocupação global quanto à segurança nuclear na região.