O sistema político e militar do Irã é marcado por uma complexa rede de líderes, conselhos e instituições. Após a eleição de Masoud Pezeshkian em julho de 2024 e recentes mudanças na Guarda Revolucionária, o país segue sob forte influência do líder supremo Ali Khamenei. Órgãos como o Parlamento, o Conselho dos Guardiães e o Conselho de Discernimento desempenham papéis decisivos na governança e controle do Estado.
Líder supremo e estrutura de poder
O aiatolá Ali Khamenei é a autoridade máxima do Irã, com poderes diretos ou indiretos sobre todos os assuntos do Estado. Ele nomeia chefes da mídia estatal, do Judiciário e mantém representantes em quase todas as organizações-chave. Sua nomeação foi feita pela Assembleia dos Peritos, órgão eleito de clérigos islâmicos responsável por supervisionar e, se necessário, destituir o líder supremo. O artigo 110 da Constituição detalha suas funções, incluindo declarar guerra, paz e mobilizar as Forças Armadas.
Presidência e desafios
Após a morte do presidente Ebrahim Raisi em um acidente de helicóptero, Masoud Pezeshkian foi eleito presidente em julho de 2024. Moderado, ele prometeu reformas sociais, retomada das negociações nucleares e resposta ao descontentamento público após a morte de Jina Amini em 2022. Apesar de ser o segundo cargo mais alto, o presidente tem poderes limitados diante do líder supremo, especialmente em temas estratégicos. Presidentes reformistas, como Pezeshkian e Hassan Rouhani, enfrentaram resistência de instituições conservadoras, como o Conselho dos Guardiães e a Guarda Revolucionária.
Órgãos de controle e legislação
O Conselho dos Guardiães, presidido por Ahmad Jannati, é composto por 12 membros — seis clérigos nomeados pelo líder supremo e seis juristas escolhidos pelo Parlamento. Ele avalia leis e candidatos a cargos eletivos, controlando o acesso ao sistema eleitoral. O Conselho de Discernimento media disputas entre Parlamento e Conselho dos Guardiães, sendo composto por membros nomeados pelo líder supremo, incluindo clérigos, militares e tecnocratas. Sua atuação reforça a autoridade do líder supremo e a continuidade do sistema político.
Guarda Revolucionária e influência econômica
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) foi criada após a Revolução Islâmica de 1979 e se consolidou como força militar paralela durante a Guerra Irã-Iraque. Após o conflito, expandiu sua presença econômica, controlando de 20% a 40% da economia iraniana por meio do braço de engenharia Khatam al-Anbiya e setores como energia, agricultura e finanças. Militarmente, a IRGC defende o regime e atua tanto internamente quanto no exterior, com a milícia Basij monitorando dissidências e a força Quds conduzindo operações regionais. Após o ataque aéreo de 13 de junho que matou o comandante Hossein Salami, o brigadeiro-general Mohammad Pakpour assumiu a liderança da organização.
Parlamento e mudanças no perfil político
O Parlamento iraniano, chamado Majlis, é unicameral, com 290 membros eleitos para mandatos de quatro anos. Desde 1980, a composição mudou: clérigos, que já foram maioria, representavam apenas 5,5% dos deputados em 2020, enquanto membros com experiência na IRGC ganharam destaque. O Majlis pode elaborar leis, aprovar orçamentos e ratificar acordos internacionais, mas sua atuação é limitada pelo Conselho dos Guardiães, que revisa candidatos e pode rejeitar legislações incompatíveis com a Constituição ou princípios islâmicos.
Mohammad Bagher Qalibaf, ex-general da IRGC, ex-chefe da polícia e ex-prefeito de Teerã, preside o Parlamento desde 2020 e foi reeleito em maio de 2025, consolidando o peso de figuras militares no cenário político.