Carla Zambelli saiu do Brasil sem comunicar oficialmente a Câmara dos Deputados, descumprindo o regimento interno. A Comissão de Ética da Câmara apura o caso e notificou a deputada sobre o processo de perda de mandato.
Zambelli viajou ao exterior no fim de maio, após ser condenada à prisão pelo STF. A deputada terá cinco sessões do plenário para apresentar sua defesa.
Descumprimento de regras e início do processo
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ignorou o Regimento Interno da Câmara ao não informar sua saída do país. Segundo a Câmara dos Deputados, ela não comunicou qualquer afastamento do Brasil ao longo de 2025, mesmo sendo obrigatório avisar previamente ao presidente da Casa, detalhando natureza e duração da viagem.
Zambelli foi notificada pela Comissão de Ética sobre o início do processo de perda de mandato. Após a notificação, ela terá cinco sessões do plenário para apresentar defesa. O rito para cassação já começou, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviando a condenação à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) foi designado relator do processo.
Investigações e condenação
A deputada é alvo de inquérito no STF, aberto por Alexandre de Moraes, que apura crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação. Zambelli foi condenada à prisão e à perda de mandato por unanimidade na Primeira Turma do STF, acusada de articular invasão e inserção de documentos falsos em sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A pena inclui 10 anos de prisão, perda de mandato, inelegibilidade e multa de R$ 2 milhões.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Zambelli e o hacker Walter Delgatti coordenaram ataques aos sistemas do CNJ para desacreditar a Justiça e incitar atos antidemocráticos. Em suas redes sociais, Zambelli afirmou ter deixado o Brasil por necessidade e se disse perseguida pelo establishment.
Tramitação do processo e comparação com Eduardo Bolsonaro
O processo de cassação segue o rito do regimento interno: após a defesa de Zambelli, a CCJ tem até cinco sessões para analisar o caso e emitir parecer, que será submetido ao plenário. Para cassação, é necessária maioria absoluta, ou seja, pelo menos 257 votos favoráveis.
A conduta de Zambelli ao deixar o Brasil sem avisar tem sido comparada à de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se licenciou do mandato e foi morar no Texas, EUA. No entanto, aliados de Eduardo rejeitam a comparação, alegando que o deputado comunicou formalmente todas as suas ausências à Câmara. Dados mostram que ele protocolou afastamentos e pediu autorização para viagens oficiais, diferentemente de Zambelli.
Parlamentares de oposição defendem mudanças nas regras internas para permitir que Eduardo exerça o mandato do exterior. A última comunicação oficial de Eduardo foi em março, quando anunciou afastamento de 120 dias.