O Fundo Monetário Internacional elevou a projeção de crescimento do Brasil para 1,9% em 2026 — 0,3 ponto percentual acima do estimado em janeiro —, atribuindo parte do ganho ao impacto positivo da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo, do qual o Brasil é exportador.
O relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta terça-feira (14), traz ao mesmo tempo um corte para 2027: a projeção cai 0,3 ponto percentual, a 2,0% — reflexo de demanda global mais fraca e custos de insumos em alta.
O número revisado para este ano ainda fica abaixo do crescimento de 2,3% registrado pelo Brasil em 2025 — desempenho que, segundo o IBGE, foi o pior desde 2020. A nova projeção também coloca o país atrás da América Latina e Caribe, cuja expectativa de expansão é de 2,3% para 2026 e 2,7% para 2027.
Brasil abaixo dos emergentes e da região
As estimativas do FMI para o Brasil ficam ainda mais distantes das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento — grupo do qual o país faz parte —, projetadas em 3,9% para 2026 e 4,2% para 2027.
Entre as instituições nacionais, a perspectiva do Fundo (1,9%) supera a do Banco Central, que em março projetou expansão de 1,6% citando incerteza elevada pela guerra. O Ministério da Fazenda é mais otimista: previu 2,3% para o PIB deste ano. O mercado, conforme o boletim Focus mais recente, estima 1,85%.
O conflito que fechou o Estreito de Ormuz — passagem de um quinto do petróleo mundial — vem encarecendo combustíveis e alimentando preocupações inflacionárias em escala global. Para o Brasil, exportador de petróleo, o efeito imediato é positivo, mas o FMI alertou que “o impacto do conflito na região é heterogêneo, com as economias menores sendo afetadas de forma mais negativa”.
Dias antes da divulgação do relatório, a diretora-geral do FMI já havia alertado que o conflito forçaria revisões do crescimento global para baixo — e antecipou o cenário que o Fundo detalhou nesta terça-feira. Saiba mais sobre o alerta do FMI sobre pedidos de socorro financeiro impulsionados pela guerra.
O corte na projeção de 2027 refletiu, segundo o FMI, desaceleração da demanda global, custos mais altos de insumos — incluindo fertilizantes — e condições financeiras mais apertadas. O cenário sugere que o benefício do petróleo para o Brasil tem prazo limitado à medida que o conflito se prolonga e o crescimento mundial recua.
Inflação como variável de risco
Na véspera do relatório, o boletim Focus já registrava a quinta alta consecutiva na projeção do IPCA, chegando a 4,71% — reflexo do mesmo choque de oferta de petróleo que agora leva o Fundo a revisar o crescimento brasileiro para cima em 2026 e para baixo em 2027. Entenda como a guerra no Oriente Médio empurra o mercado a prever estouro da meta de inflação em 2026.
O horizonte de 2027 ganha contorno mais sombrio à luz de pesquisa do próprio FMI que mostra que guerras deixam cicatrizes econômicas por mais de uma década — pano de fundo para entender por que o Fundo já começa a retirar otimismo do médio prazo. Veja o estudo que mostra como conflitos derrubam a produção em 7% e impõem perdas duradouras.
