O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que está “triste” com a decisão do Copom de reduzir a taxa de juros em apenas 0,25 ponto percentual.
O petista deu a declaração durante evento do governo federal em São Paulo, um dia após a reunião do Comitê de Política Monetária que cutou a Selic de 15% para 14,75% ao ano — primeira diminuição desde maio de 2024.
Lula disse que esperava um corte maior, de 0,5 ponto percentual, e lamentou a decisão do colegiado do Banco Central, que considerou os impactos da guerra no Irã para fixar a redução.
Petroleum dispara e limita corte
O começo do processo de queda dos juros no Brasil ocorre apesar das incertezas internacionais decorrentes da guerra no Irã, que levou o barril de petróleo de US$ 72 para mais de US$ 100.
Na decisão, o Copom afirmou que os conflitos no Oriente Médio afetam “direta e indiretamente” a inflação no Brasil. A disparada do petróleo já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes.
A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada, e o Copom diz ser necessário reunir mais informações “sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio”.
Haddad será lembrado, diz Lula
Durante o evento, o presidente tentou minimizar o impacto da decisão sobre a economia. “Nós estamos fazendo um sacrifício, que vocês não têm noção, pra fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar os salários”, afirmou.
Lula também declarou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “vai passar para a história como o ministro mais exitoso do país”, citando a aprovação da reforma tributária.
Brasil segue com segunda maior taxa real de juros do mundo
Mesmo com o corte, o Brasil mantém a segunda maior taxa real de juros do planeta, atrás apenas da Turquia, segundo levantamento do MoneYou.
O Banco Central havia reduzido a Selic pela última vez em maio de 2024, quando a taxa estava em 10,5%. Desde então, o Copom manteve o juros em 15% por sete reuniões consecutivas, até a decisão desta semana.
