O Tesouro Nacional comprou nesta semana R$ 49 bilhões em títulos públicos, a maior operação de recompra já realizada pela instituição. A intervenção ocorre após o início da guerra no Oriente Médio disparar o preço do petróleo para acima de US$ 100 por barril.
Ao recomprar papéis no mercado financeiro, o Tesouro aumenta a demanda por títulos, elevando seu preço e reduzindo sua taxa de juros. A atuação busca conter movimento desordenado de pressão altista na curva de juros, que serve de base para taxas de empréstimos a empresas e pessoas físicas.
Por que o Tesouro interviu
O conflito no Oriente Médio provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Com a oferta global comprometida, o barril de petróleo saltou de US$ 72 para acima de US$ 100.
A alta já pressiona os preços de combustíveis no Brasil, especialmente o diesel, mesmo antes de possível repasse à gasolina. A expectativa deinflação para 2026 subiu na semana passada.
Papel do Banco Central
Nesta quinta-feira, o Banco Central avaliou que o cenário global “segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”. Em outras palavras: alta do petróleo, pressão sobre o dólar, juros futuros e impacto na bolsa de valores.
A combinação de fatores levou o Copom a cortar a Selic nesta semana, mas ограниченa pelo petróleo acima de US$ 100 — o mesmo fator que motivou a intervenção do Tesouro.
Impacto na economia
O Ministério da Fazenda já projetava que, com o petróleo a US$ 100, ainflação ultrapassaria 4% — o cenário que agora se materializou. Essa perspectiva limita o espaço para cortes mais agressivos na taxa básica de juros.
A preocupação imediata do mercado inclui a falta de abastecimento de diesel no país, além do impacto do aumento dos preços no dólar e na inflação.
OCopom havia cortado a Selic pela primeira vez em dois anos nesta semana, mas o petróleo acima de US$ 100 limitou o tamanho do corte a apenas 0,25 ponto.
