O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (16) que a atividade econômica brasileira cresceu 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, após ajuste sazonal — o maior avanço mensal registrado em um ano.
O resultado, medido pelo IBC-Br, também ficou 1% acima do mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses até janeiro, o indicador sobe 2,3%.
O IBC-Br é calculado pelo Banco Central com base em estimativas para agropecuária, indústria e serviços, além dos impostos. Diferente do PIB oficial, medido pelo IBGE, o índice não incorpora o lado da demanda — o que o torna uma aproximação, não um resultado definitivo.
O dado de janeiro chega em um cenário de política monetária restritiva. O PIB oficial cresceu apenas 2,3% em 2025, o pior resultado desde a pandemia, freado pela Selic a 15% — o maior patamar em quase 20 anos.
O Banco Central mantém os juros nesse nível para conter a inflação e tem sinalizado que a taxa permanecerá elevada por um período bastante prolongado. A estratégia reconhece que a desaceleração econômica é um elemento necessário para a convergência da inflação à meta de 3%.
Em comunicado de dezembro, o Copom informou que o hiato do produto segue positivo — ou seja, a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar pressões adicionais de preços.
O mercado financeiro projeta crescimento do PIB de 1,8% em 2026, enquanto o governo aposta em 2,3% — mantendo o ritmo atual da economia. A divergência reflete incertezas sobre o impacto acumulado dos juros altos na atividade produtiva.
O dado do IBC-Br chega às vésperas da reunião do Copom de 17 e 18 de março, quando o Banco Central decidirá o próximo passo da Selic em meio a pressões inflacionárias externas.
Analistas dos bancos não esperam cortes nos juros antes de 2026. Como o IBC-Br é uma das principais ferramentas usadas pelo BC para calibrar a taxa Selic, um crescimento acima do esperado pode sinalizar mais pressão inflacionária — e, consequentemente, adiar qualquer afrouxamento monetário.