Solto dois dias após ser preso pelo serviço de imigração americano, o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) agradeceu publicamente ao governo Trump pela liberação e declarou estar em situação regular nos Estados Unidos.
Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (16), Ramagem afirmou que a soltura foi administrativa — sem pleito judicial e sem pagamento de fiança. Ele havia sido detido pelo ICE na segunda-feira (13) por questões migratórias e deixou a prisão na quarta (15).
Condenado pelo STF a 16 anos por integrar o núcleo central da tentativa de golpe, Ramagem fugiu do Brasil em 2025 de forma clandestina antes do encerramento do julgamento.
Fuga clandestina e pedido de extradição
Ramagem deixou o Brasil em 2025 cruzando clandestinamente a fronteira de Roraima com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos. A saída ocorreu antes do encerramento do julgamento que o condenou por participação na trama golpista que buscava manter Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Em dezembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Washington encaminhou ao Departamento de Estado americano a documentação do pedido formal de extradição. O Ministério da Justiça havia comunicado ao STF, em janeiro deste ano, que o pedido já estava nos canais diplomáticos.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão de Ramagem na lista da Interpol — medida que viabilizou a detenção pelo ICE em Orlando. A soltura contrasta com a expectativa criada três dias antes, quando agências americanas prenderam o ex-deputado por irregularidades migratórias, encerrando meses de trabalho conjunto com a Polícia Federal. Veja como ocorreu a prisão em Orlando.
Aliados de Ramagem indicavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. O ex-deputado, contudo, nega irregularidades: afirma ter entrado no país com documentos válidos e que a questão migratória foi resolvida sem qualquer procedimento judicial.
Brasil não foi comunicado da soltura
Enquanto Ramagem agradecia ao governo Trump nas redes sociais, a Polícia Federal ainda aguardava explicações das autoridades americanas — o Brasil não foi formalmente comunicado sobre a liberação. Entenda por que a PF não foi avisada.
Na véspera da soltura, o governo brasileiro ainda trabalhava para convencer as autoridades americanas a iniciar um processo de deportação — esforço que se tornou inócuo com a liberação administrativa anunciada por Ramagem. Leia como o processo de deportação estava avançando.
A soltura sem comunicação formal ao Brasil expõe uma tensão diplomática de difícil equacionamento: de um lado, o pedido de extradição em curso nos canais oficiais; de outro, uma liberação decidida nos bastidores da administração Trump sem o protocolo habitual entre países parceiros. No Brasil, Ramagem acumula sanções administrativas e políticas decretadas durante o período em que permanece foragido.
