O mercado financeiro reduziu a expectativa de um corte maior da Selic pelo Banco Central nesta semana. O motivo é a guerra no Oriente Médio, que empurrou o barril de petróleo acima de US$ 100.
O Copom se reúne em 17 e 18 de março com os juros básicos em 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos. A decisão passou a ser lida com mais cautela após a escalada do conflito.
Os dados são do boletim Focus desta segunda-feira (16), divulgado pelo Banco Central com base em pesquisa junto a mais de 100 instituições financeiras.
Inflação revisada para cima
Com a disparada do petróleo, o mercado passou a projetar maior pressão nos combustíveis e, por consequência, na inflação ao consumidor. A expectativa para o IPCA em 2026 subiu de 3,91% para 4,10% na edição desta semana do Focus.
Na edição anterior, divulgada em 9 de março, o mercado ainda projetava inflação de 3,91% para 2026 — antes de a disparada do petróleo empurrar a expectativa para 4,10%. Veja os dados do Focus de 9 de março.
Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo dos 4,26% registrados em 2025. O sistema de meta contínua, em vigor desde 2025, define como aceitável uma variação entre 1,50% e 4,50%, com centro em 3%.
PIB e câmbio
A estimativa de crescimento do PIB para 2026 subiu marginalmente, de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção foi mantida em 1,8%. O PIB de 2,3% em 2025, divulgado pelo IBGE na semana passada, já refletia uma economia freada pela Selic elevada — e o conflito no Irã adiciona incerteza às projeções de crescimento para 2026. Leia mais sobre o PIB 2025 e os riscos do conflito.
No câmbio, a projeção para o fim de 2026 caiu de R$ 5,41 para R$ 5,40. Para o encerramento de 2027, a estimativa recuou de R$ 5,50 para R$ 5,47.
O Ministério da Fazenda havia projetado que, com o barril a US$ 100, a inflação ultrapassaria 4% — exatamente o patamar que o Focus desta semana começa a precificar. Veja a projeção da Fazenda sobre o impacto do petróleo.
A alta do petróleo reflete a instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, com epicentro no Irã. O choque externo coloca o Banco Central em posição delicada: flexibilizar os juros num cenário de pressão inflacionária importada eleva o risco de descumprimento da meta.
A Selic em 15% ao ano representa o maior patamar desde 2006. Desde 2025, o regime de meta contínua eliminou o calendário anual e passou a exigir que o IPCA flutue próximo de 3% de forma permanente.
O Copom deve anunciar sua decisão ao término da reunião de dois dias, na quinta-feira, 18 de março.