Política

Relator mantém R$ 8,50 por entrega no PL dos apps e ignora pedido de Boulos

Oposição tenta repetir o roteiro da 'taxa de blusinhas' para travar projeto que regulamenta entregas; votação vai ao plenário em abril

O relator do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos deve manter o piso mínimo de R$ 8,50 por entrega — valor que contraria o ministro Guilherme Boulos, defensor de R$ 10.

A decisão deve ser confirmada antes da votação prevista para o plenário da Câmara em abril, após reunião com Hugo Motta e membros do governo não resultar em acordo.

Enquanto isso, a oposição tenta repetir o roteiro da “taxa de blusinhas”: vincular o projeto ao encarecimento das entregas de comida para desgastar o governo Lula.

O impasse sobre o piso mínimo

Pessoas próximas ao relator Augusto Coutinho (Republicanos-PE) afirmam que ele vai manter o piso de R$ 8,50 para entregas por aplicativo — e pode ainda restringir o valor a apenas algumas modalidades. A posição contraria diretamente o ministro Guilherme Boulos, que defende R$ 10 até 4 quilômetros, com R$ 2,50 por quilômetro adicional.

A reunião da última terça-feira (11) na residência oficial da Câmara, com Motta, ministros e o relator, terminou sem acordo. O impasse já havia persistido em encontro anterior: mesmo com Motta pressionando para avançar, as partes saíram sem consenso sobre o piso mínimo — e o governo já estuda apresentar emenda diretamente no plenário caso Coutinho não eleve o valor.

As plataformas criticam qualquer tabelamento por entenderem que o modelo de negócios fica inviabilizado. O relator pediu que os executivos apresentem uma proposta até sexta-feira (13), antes de nova rodada de negociações.

A defesa do governo

O ministro Boulos rebateu a narrativa da oposição e negou que o projeto vá encarecer os serviços para o consumidor. Segundo ele, a maior parte do lucro das empresas vem da taxa mensal cobrada dos restaurantes, não da remuneração dos entregadores.

“Já existe um mínimo pago pelo iFood que é de R$ 7,50 por entrega e R$ 1,50 para cada quilômetro adicional. A reivindicação dos entregadores é aumentar do R$ 7,50 para R$ 10,00”, afirmou o ministro.

A tática da oposição

Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares publicaram vídeos nas redes sociais ligando o projeto ao aumento das taxas de entrega, sobretudo no iFood. A estratégia replica o movimento que forçou a reversão da “taxa de blusinhas” em 2024: mobilizar o consumidor com o argumento do encarecimento dos serviços.

Na época, o alvo era a tributação de importações de baixo valor, e o argumento era que a medida punia o consumidor de baixa renda. Agora, o piso mínimo por entrega ocupa o papel de vilão da narrativa oposicionista — com o mesmo público-alvo.

O projeto é considerado prioridade do Executivo e bandeira eleitoral do governo para 2026. A urgência ficou evidente quando Motta convocou governo e relator para negociar — tentativa que também terminou sem consenso, mas deixou clara a pressão por uma votação rápida.

O presidente da Câmara quer levar o texto diretamente ao plenário em abril, contornando a comissão especial onde tramitava. A votação final deve reacender o debate sobre o equilíbrio entre proteção trabalhista e o custo dos serviços para o consumidor.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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