A mais recente pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada nesta terça-feira (10), consolida um quadro de rejeição ao governo Lula: 40% dos brasileiros avaliam a gestão como ruim ou péssima, enquanto apenas 33% a consideram ótima ou boa.
O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 131 cidades entre os dias 5 e 9 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A desaprovação da forma como Lula administra o país soma 51%, contra 43% de aprovação — e 56% dizem não confiar no presidente.
A avaliação negativa se mantém estável em relação à pesquisa de dezembro, quando o índice ruim ou péssimo também era de 40%. Já a avaliação positiva subiu três pontos percentuais, de 30% para 33%.
Na questão específica sobre a gestão, a desaprovação recuou um ponto (de 52% para 51%), enquanto a aprovação avançou na mesma proporção (de 42% para 43%). Os que não souberam ou não responderam somam 6% dos entrevistados.
Confiança estagnada desde setembro
O índice de desconfiança em Lula permanece em 56% desde o levantamento de setembro — patamar que não oscilou nos últimos meses. Outros 40% afirmam confiar no presidente, mesmo percentual registrado em dezembro.
Quando questionados se o governo está correspondendo às expectativas, 43% afirmam que está pior do que esperavam, 28% consideram igual e 25% avaliam que está melhor. O dado confirma tendência apontada pelo Datafolha, que também registrou rejeição de 40% ao governo — e mostrou pela primeira vez a desaprovação pessoal ao presidente superando a aprovação.
Pessimismo prevalece na percepção econômica
Na avaliação sobre a economia nos últimos seis meses, 42% dos entrevistados consideram que a situação piorou, enquanto 27% acreditam em melhora e 28% veem estabilidade.
Para os próximos seis meses, o quadro não é animador: 36% esperam que a economia piore, contra 33% que projetam melhora e 23% que apostam em estabilidade.
O cenário econômico negativo percebido pelos entrevistados dialoga com outro levantamento da mesma semana, em que o Datafolha identificou saúde, violência e economia como os principais problemas citados pelos brasileiros — fatores que pesam diretamente nos índices de aprovação do governo.
O desgaste nas pesquisas já se reflete no cenário eleitoral: levantamento Datafolha da mesma semana mostrou Flávio Bolsonaro encostando em Lula, com a vantagem do presidente encolhendo de 15 para apenas 3 pontos percentuais em menos de noventa dias.