Economia

Senacon aciona Cade para investigar alta de combustíveis sem reajuste da Petrobras

Distribuidoras já repassam aumentos de até R$ 0,80 por litro ao consumidor em vários estados

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) acionou nesta terça-feira (10) o Cade para investigar aumentos nos preços de combustíveis, mesmo sem que a Petrobras tenha alterado os valores em suas refinarias.

O órgão quer apurar se os repasses praticados por distribuidoras configuram infração à ordem econômica — uma movida que ocorre em meio à escalada do petróleo impulsionada pela guerra no Oriente Médio.

Repasses chegam antes do reajuste da estatal

Segundo sindicatos ouvidos pela Senacon, aumentos já estão sendo praticados em vários estados. O ofício ao Cade cita altas de até R$ 0,80 por litro de diesel e R$ 0,30 por litro de gasolina em algumas regiões.

No Rio Grande do Sul, o Sulpetro registrou aumentos de até R$ 0,62 no diesel e R$ 0,30 na gasolina. Na Bahia, a refinaria de Mataripe (Acelen) praticou reajustes de 17,9% no diesel e 11,8% na gasolina.

No Rio Grande do Norte, a gasolina passou de R$ 2,59 para R$ 2,89 por litro, enquanto o diesel S500 saltou de R$ 3,32 para R$ 4,07. Em Minas Gerais, o Minaspetro classificou a situação como “grave” e alertou para estoques baixos em postos.

Dados da ANP mostram variação mais discreta na média nacional: a gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30, e o diesel de R$ 6,03 para R$ 6,08, entre a última semana de fevereiro e 7 de março.

O pano de fundo é a escalada do petróleo a mais de US$ 100 por barril — maior alta em quatro anos —, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica de escoamento da commodity, amplificou o temor de restrições na oferta global.

A janela de proteção ao consumidor tem prazo: com o barril acima de US$ 100 e a Petrobras respondendo por cerca de 46% do preço do diesel no posto, analistas já avaliam que reajustes maiores são questão de tempo caso o petróleo se mantenha nesse patamar. Saiba mais sobre como o conflito pressiona os combustíveis no Brasil.

A movimentação da Senacon vem num contexto em que distribuidoras privadas já passaram a agir por conta própria: um levantamento do Goldman Sachs apontou que o diesel da Petrobras estava 30% abaixo da referência internacional, levando revendedoras a repassar as altas sem aguardar a estatal. Entenda o dilema de preços que a Petrobras enfrenta com o petróleo em alta.

O risco já havia sido sinalizado nos primeiros dias do conflito, quando o barril do Brent saltou 13% em uma única sessão e analistas passaram a projetar os US$ 100. Veja como a guerra no Irã começou a abalar os mercados globais. Desde 2023, após o fim da paridade de importação (PPI), a Petrobras suaviza variações externas no curto prazo — mas a defasagem atual começa a pressionar distribuidoras e consumidores ao mesmo tempo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Banco do Brasil descarta federalizar BRB e comunica posição ao TCU

Bolívia prende chefe do Cartel Uruguaio e o extradita para os EUA

EUA colocam US$ 10 milhões na cabeça de Mojtaba Khamenei e líderes iranianos

China devolve cargas de soja e trava embarques nos portos do Brasil