Ciência

Um terço dos homens da Geração Z acredita que esposa deve obedecer ao marido

Pesquisa da Ipsos com 23 mil pessoas em 29 países mostra retrocesso conservador mais acentuado entre jovens do que entre gerações anteriores

Uma pesquisa global com 23 mil pessoas em 29 países revelou que 31% dos homens da Geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — acreditam que a esposa deve sempre obedecer ao marido. O índice é mais que o dobro do registrado entre homens Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964.

O levantamento foi conduzido pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina do King’s College London. O Brasil figura entre os países com maiores percentuais de adesão a visões tradicionais de gênero — e os dados acendem um alerta sobre o avanço do conservadorismo entre os mais jovens.

Brasil entre os países com visões mais tradicionais

Os dados do Brasil chamam atenção dentro do cenário global. Sete em cada dez brasileiros (70%) afirmam que está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade — índice muito superior à média global de 46%. O país ocupa a 8ª posição entre 29 nações nesse quesito e aparece na 7ª colocação entre 25 países na crença de que uma mulher “de verdade” não deve iniciar o sexo.

A socióloga Felicia Picanço, professora da UFRJ, pondera que o espanto diante dos resultados revela uma crença equivocada de que as mudanças sociais seguem sempre uma trajetória linear. “Nenhuma experiência humana é estática e caminha em uma só direção. E existe uma diversidade entre os países muito importante de ser tratada”, avalia.

Para Maíra Liguori, presidente da Think Olga, os números refletem discursos presentes há décadas. “Esses valores continuam sendo transmitidos por diferentes caminhos, como a religião, a mídia e a própria criação familiar, passada de geração em geração”, explica. Ela aponta que as redes sociais amplificam e tornam visíveis valores que antes circulavam de forma mais restrita.

Os números ganham peso quando cruzados com dados nacionais: em 2024, o Brasil registrou média de quatro feminicídios por dia, metade deles em municípios sem nenhum serviço especializado de proteção à mulher — contexto que torna ainda mais urgente o debate sobre as raízes culturais dessas desigualdades.

Redes sociais, contradições e perspectivas

Um levantamento de 2024 conduzido pela UFRJ em parceria com o Ministério das Mulheres identificou 137 canais digitais que propagam misoginia. Entre 2018 e 2024, esses espaços cresceram vendendo livros e cursos que defendem o controle e a humilhação de mulheres independentes e feministas. Especialistas apontam que parte das respostas na pesquisa global reflete a influência dessas comunidades online.

A socióloga Nadya Guimarães, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, chama atenção para as contradições internas dos dados. Apesar de serem o grupo mais inclinado a defender a submissão da esposa, os homens da Geração Z também são os que mais consideram mulheres com carreira de sucesso mais atraentes: 41% concordam com isso, contra apenas 27% entre Baby Boomers.

Christian Dunker, professor de psicanálise da USP, afirma que existe uma falsa associação entre valores e práticas conservadoras. “Uma pessoa pode defender valores tradicionais e, ainda assim, ter práticas progressistas — ou o contrário”, diz. Esse tipo de dissociação cognitiva, segundo ele, explica parte das aparentes contradições nos dados.

Apesar das resistências persistentes, especialistas projetam continuidade dos avanços. Para Felicia Picanço, houve progresso na redução da crença de que a mulher é inferior ao homem — mas a resistência à redistribuição dos cuidados domésticos permanece. “Os homens estão sendo convocados a uma maior participação, e o enfrentamento das desigualdades precisa começar dentro de casa”, conclui.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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