A eleição de Abelardo de la Espriella à presidência da Colômbia, neste domingo (22), acrescentou mais um nome ao círculo de aliados de Donald Trump na América do Sul.
O candidato direitista derrotou o esquerdista Iván Cepeda segundo dados preliminares da autoridade eleitoral colombiana — resultado que ainda aguarda confirmação oficial. Trump já parabenizou De la Espriella e prometeu trabalhar por uma “relação poderosa” entre os dois países.
A vitória colombiana se soma às de Javier Milei, na Argentina, e Daniel Noboa, no Equador, consolidando um bloco de líderes sul-americanos alinhados a Washington — enquanto o Brasil de Lula segue na direção oposta.
Os pilares do bloco trumpista no continente
Javier Milei, da Argentina, é o aliado mais emblemático. Frequentador assíduo de Mar-a-Lago e presença constante em eventos da direita conservadora americana, o presidente libertário colheu frutos concretos da aproximação: em 2025, Trump liberou um empréstimo de US$ 20 bilhões à Argentina, socorro que ajudou a sustentá-lo na vitória das eleições legislativas daquele ano.
No Equador, Daniel Noboa mantém uma relação mais calculada. Na campanha de reeleição em 2025, buscou aproximação com Washington pela agenda de segurança pública, chegando a não descartar o retorno de bases militares estrangeiras — proibidas pela Constituição equatoriana.
Paraguai, Bolívia e Chile
O paraguaio Santiago Peña foi um dos primeiros a celebrar o retorno de Trump à Casa Branca, em 2024. Foi convidado ao “Conselho da Paz” — iniciativa americana para criar uma organização paralela à ONU, que se reuniu uma única vez antes de ser engavetada após o início da guerra dos EUA contra o Irã.
Na Bolívia, Paz assumiu em novembro de 2025, encerrando duas décadas de hegemonia esquerdista no poder. Prometeu a Trump uma “relação fluida” entre os dois países, mas enfrenta protestos generalizados. Washington lhe deu respaldo: o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, classificou as manifestações como “um golpe financiado por uma aliança perigosa entre política e crime organizado”.
No Chile, Kast chegou ao poder com plataforma próxima à de Trump — combate à imigração ilegal, crítica ao progressismo e proposta de muro na fronteira com a Bolívia. A afinidade, porém, é mais programática do que pessoal.
Lula na contramão e a Venezuela no limbo
O maior contraponto ao bloco trumpista vem do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeita o alinhamento automático com Washington e mantém uma política de independência que, por vezes, resulta em confronto aberto.
A cena mais emblemática ocorreu durante a cúpula do G7, na semana passada. Após Trump classificar o Brasil como um “país politicamente difícil” e criticar o cenário eleitoral brasileiro, Lula respondeu publicamente que o republicano “não se metesse” nas eleições do país — contraste direto com o alinhamento automático que Trump busca cultivar com seus novos aliados sul-americanos.
O desgaste entre os dois líderes vinha crescendo: dias antes, Trump havia chamado Lula de “muito volátil” em entrevista, consolidando o afastamento entre Brasília e Washington que se aprofundou desde o G7.
À margem do bloco alinhado com Trump, a Venezuela apresenta um caso sem precedentes. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina após uma operação militar americana que deteve Nicolás Maduro e o levou a Nova York, onde aguarda julgamento. Desde então, Caracas assinou acordos de exploração de petróleo com Washington e libertou presos políticos — mas sem declarar qualquer alinhamento explícito com a administração Trump.
