A Polícia Federal identificou, na conta bancária do pai do banqueiro Daniel Vorcaro, um montante de R$ 2,2 bilhões supostamente ocultado mesmo após sua soltura, em novembro de 2025.
O valor levou a PF a pedir nova prisão preventiva ao STF, atendida pelo ministro André Mendonça. Vorcaro foi preso novamente.
Os recursos — R$ 2.245.235.850,24 — estavam registrados na CBSF DTVM, conhecida como REAG, em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro.
A descoberta só foi possível após a Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026. Medidas de bloqueio financeiro revelaram o montante na conta mantida junto à CBSF DTVM, a REAG.
Rombo de R$ 40 bilhões como parâmetro
No pedido de prisão, a PF comparou o valor oculto ao rombo de quase R$ 40 bilhões causado pelo Banco Master no mercado financeiro — montante hoje coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A investigação afirma que a conduta criminosa “se perpetuou mesmo após” a soltura do banqueiro.
A PF também alegou risco elevado de fuga, citando “jatos privados” à disposição de Vorcaro e “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”, além de sinais de dilapidação desse patrimônio.
O esquema envolvia ainda servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, chefes da supervisão bancária, atuavam como “consultores informais” de Vorcaro. Revisavam minutas enviadas ao regulador e antecipavam ações de fiscalização, recebendo até R$ 1 milhão mensais via contratos simulados. Por ordem do STF, foram afastados e usarão tornozeleira eletrônica.
A decisão coube ao ministro André Mendonça, que assumiu o inquérito após Dias Toffoli pedir redistribuição do caso em fevereiro — mudança que marcou uma virada na condução das investigações. Ele também determinou a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao grupo.
Milícia privada e ameaças à imprensa
As investigações revelaram um grupo chamado “A Turma”, descrito como milícia privada usada para monitorar e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
Mensagens interceptadas mostram Vorcaro ordenando ao coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, que o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, fosse agredido em assalto forjado para “quebrar todos os dentes”, após reportagens críticas ao banco. O jornal emitiu nota classificando o plano como tentativa de “calar a voz da imprensa”.
O grupo também é acusado de acessar ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
Além de Vorcaro, foram presos Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, o próprio Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. As defesas de Vorcaro e Zettel negaram categoricamente as acusações e anunciaram que buscarão reverter as prisões na Justiça.
A crise do Master se aprofunda: além do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, também foram liquidados o Will Bank e o Banco Pleno, do mesmo grupo. A instituição captava a juros muito acima do mercado — especialmente via CDBs —, pressionada por exposição a investimentos de alto risco e custo elevado de captação.