Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, sobreviveu aos bombardeios norte-americanos e israelenses que mataram seu pai e desencadearam uma guerra no Oriente Médio, segundo duas fontes iranianas ouvidas pela Reuters na quarta-feira (4).
Com o pai morto e a esposa também vítima do ataque ao complexo do líder supremo no sábado (28), Mojtaba emerge como candidato natural à sucessão — em um país que precisa, às pressas, escolher um novo chefe de Estado teocrático em plena guerra.
Assembleia dos Peritos e a corrida pelo poder
A confirmação de que Mojtaba está vivo chegou horas antes de a Assembleia de Especialistas — composta por 88 aiatolás — declarar estar “perto de uma decisão” sobre o novo líder supremo. O órgão opera em circunstâncias inéditas: jamais precisou agir com tamanha urgência, com o país em plena guerra.
A tarefa da Assembleia dos Peritos ficou ainda mais difícil: EUA e Israel já haviam bombardeado a própria sede do conselho responsável por escolher o próximo líder supremo iraniano.
O nome de Mojtaba já circulava como possível sucessor antes do conflito, mas a candidatura era controversa — críticos apontavam que um filho herdando o cargo criaria uma versão teocrática da antiga monarquia hereditária, contradizendo os princípios da Revolução Islâmica de 1979.
Com o pai e a esposa mortos em ataque estrangeiro, Mojtaba carrega o peso simbólico do martírio. Nos cálculos políticos da República Islâmica, esse fator pode ser decisivo entre os clérigos conservadores da Assembleia.
Quem assumir o posto terá controle sobre um Exército em guerra e sobre um estoque de urânio altamente enriquecido que poderia ser convertido em arma nuclear, caso o novo líder decida autorizar o programa.
Da Revolução ao campo de batalha
Nascido em 1969 em Mashhad, Mojtaba cresceu enquanto seu pai fazia oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi. Após a Revolução Islâmica, lutou na Guerra Irã-Iraque integrado ao Batalhão Habib ibn Mazahir da Guarda Revolucionária — divisão cujos ex-membros ocuparam posições-chave na inteligência do país.
Desde que seu pai se tornou líder supremo em 1989, Mojtaba e sua família passaram a ter acesso a bilhões de dólares em ativos distribuídos pelas bonyads — fundações financiadas por indústrias estatais e riquezas confiscadas da era do xá.
A sobrevivência de Mojtaba, porém, já o coloca em risco imediato: o ministro da Defesa israelense Israel Katz declarou que qualquer pessoa que assuma a liderança suprema do Irã será “um alvo”.
No campo de batalha, o conflito segue sem trégua. Desde o ataque de sábado (28), quase 800 pessoas foram mortas no Irã, segundo o Crescente Vermelho. O país revidou com mísseis contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio. Washington confirmou seis militares mortos, e Trump prometeu que “o golpe mais devastador” ainda está por vir.